O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 21/04/2022

O mito de Narciso narra a história de um belo rapaz, o qual era arrongante pelos seus aspectos físicos, como um castigo a sua soberba é condenado a apaixonar-se por sua própria imagem no lago, e assim, definha e morre a cultuando. Fora do contexto mitológico, o Brasil também encontra-se diante do culto à padronização corporal. Essa problemática persiste devido à influência das redes virtuais e a comercialização da imagem pessoal.

Primeiramente, é notório que a influência das redes sociais ao apresentar pessoas padronizadas é responsável pelo culto corporal. Sobre isso, o sociólogo Emille Durkheim, em sua tese “fato social”, afirma que as condutas individuais são pautadas pelo apelo moral e ético vigente. Nessa perspectiva, percebe-se que os padrões físicos instaurados pelas redes sociais, através dos artistas e influenciadores digitais, configuram-se como fatores sociais, os quais manipulam o indivíduo a agir conforme uma tendência coletiva. Isso é recorrente nas plataformas como o Instagram, o qual permite que haja patrocínio indiscriminado de cirurgias estéticas evasivas, o que acarreta numa manipulação social.

Além disso, a comercialização do corpo humano como fonte interminável de beleza também corrobora para o culto corporal. Sobre isso, o sociólogo Louis Althusser, em sua tese marxista, descreve que os recursos estatais são utilizados por uma elite, a qual busca lucro sobre lucro, sem respeitar a dignidade humana. Nesse sentido, percebe-se que no Brasil também ocorre o consumo direcionado no âmbito estético sem o devido respeito à vida humana, posto que o objetivo principal das propagandas e anúncios pelas redes sociais e televisão visão somente o campo da beleza e desconsidera a saúde e a aceitação do singular. Essa situação é problemática, posto que a peculiaridade da pessoa é um direito.

Diante dos fatos supracitados, medidas interventivas são necessárias para reverter a manipulação e consumismo estético. Para tanto é preciso que o Poder Executivo destine verbas para o Ministério da Sáude com o intuito de promover debates virtuais a respeito do culto corporal e seus malefícios, para que as pessoas tenham conhecimento sobre possível manipulação e respeitem suas diferenças. Assim, os brasileiros não se tornarão cegos como Narciso.