O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 16/10/2018
Ainda na Grécia Antiga, dentro da mitologia, destaca-se o mito de Sísifo. Este, por ter enganado Zeus, foi castigado eternamente a rolar uma enorme pedra até o cume de uma montanha. Sempre que estava prestes a chegar ao topo, vencido pela exaustão, Sísifo deixava a pedra rolar montanha abaixo, assim, nunca concluíra sua punição. Hodiernamente, não obstante, o mito assemelha-se à luta constante das pessoas que buscam o corpo perfeito. Nesse sentido, fica claro que a deturpação da autoimagem e a imposição midiática do corpo ideal são raízes do problema.
Em primeiro lugar, é necessário entender que a imagem do corpo ideal para uma pessoa é construída paulatinamente ao longo do seu crescimento. Desde a infância, são apresentadas exaustivamente às crianças, brinquedos que caracterizam os padrões corporais - extremamente magros ou musculosos, por exemplo, as Barbies e os Super-Heróis. Ademais, durante a adolescência, os jovens são cercados em suas redes sociais por perfis que forçam um estilo de vida feliz e saudável, sempre associando-os aos moldes corpóreos. Logo, a partir dessa construção, torna-se evidente a deturpação da imagem. Outrossim, o bombardeamento de propagandas que estimulam o consumo de produtos da moda é constante, principalmente na internet. Atualmente, a popularidade de blogs e perfis no Instagram e Youtube tornou a internet um excelente campo de divulgação de marcas. Estas, buscando alcançar um maior público, patrocinam influenciadores digitais coibindo seus consumidores a seguirem dicas que serão oferecidas. Não obstante, blogueira(o)s e youtubers associam seus perfis à marcas e demonstram aos seus milhões de seguidores que comprar determinados produtos e fazer cirurgias são coisas fáceis, úteis e trarão a satisfação pessoal.
Portanto, assim como no mito de Sísifo, é imprescindível demonstrar à sociedade que a busca pelo corpo perfeito é uma jornada interminável. É fundamental que a família e a escola, através de conversas, debates e aulas, construam valores corporais durante a infância, visando fortalecer a autoimagem e a autoestima das crianças. Além disso, a sociedade deve, por meio de manifestações, desconstruir os modelos impostos pela mídia e revogar a representação dos diversos tipos físicos de beleza, a fim de gerar uma maior representatividade em mídias digitais. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos contemporâneos cumprirão o castigo de Zeus.