O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 15/06/2022
Em “O mínimo para viver”, longa metragem norte americano, a questão da anorexia vivida por Ellen, de 20 anos, e de outros distúrbios alimentares, impostos pela mídia, evidencia os impactos na vida em sociedade e na saúde da população causados pela ditadura moderna da moda. Paralelo às telas, a contemporaneidade se conecta analogamente à obra, haja vista que o crescente índice de transtornos alimentares e o culto à padronização corporal no Brasil explicitam a domestificação da sociedade frente às diversas pressões estéticas, criadas e perpetuadas por uma indústria não inclusiva, sustentada por pilares de ignorância e de individualismo.
Dessa forma, a indústria da moda tem grande parcela de culpa na padronização corporal em questão. Isso por que ela, na busca incessante pela homogeneidade de corpos, repercute pensamentos retrógrados do século XIX, em que a necessidade de controlar a liberdade das mulheres fez com que surgissem os padrões estéticos. Dessarte, a domestificação da população cria a ideia algoz de corpo ideal a ser alcançado. Como consequência disso, tem-se a intensificação de transtornos psíquicos e alimentares, como a anorexia e a bulimia
Ademais, a atualidade vive em conformidade com Thomas Hobbes: " O homem é o lobo do homem". Nesse sentido, a autodestruição humana se observa tanto na indústria brasileira da moda quanto na mudez com que a mídia lida com a problemática, não dando o enfoque necessário pra desconstrução desse estigma. Como efeito disso, observa-se a hodiernidade como projeção para um futuro igualmente problemático.
Destarte, a fim de superar o esteriótipo proposto por Hobbes e se desprender das amarras dessa ditadura evidenciada pelo filme, é necessario que haja atuação da mídia que, por possuir grande poder de coersitividade, deve criar campanhas e propagandas que quebrem o estigma do corpo perfeito a ser atingido, com finalidade de estimular a maior autoaceitação entre a população brasileira. Além disso, a indústria da moda deve criar meios de inclusão aos vários tipos de corpos, de forma com que a moda passe, gradualmente, a se tornar universal e moderna, longe do pensamento retrógrado do século XIX.