O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 16/08/2022

O sociólogo Émile Durkheim aborda que os fatos sociais são expressos em normas que obrigam os indivíduos a agirem segundo os padrões culturais. Com isso, ao se fitar a realidade da busca pelo padrão corporal na atual sociedade brasileira, percebe-se a aplicação prática do conceito de Durkheim, no qual há uma pressão para se estar nesse “molde”. Sendo assim, é essencial discorrer sobre a memória sociocultural e a influência midiática que corroboram para essa mazela.

Sob esse viés, vale ressaltar os arquétipos socioculturais presentes na sociedade. Durante a Belle Époque, no século XX, a imagem da mulher ideal era exposta e imposta, com vestidos enormes e cintas para modelar a cintura. Na contemporaneidade, a persistência do culto à imagem e da ditadura da beleza desguarnece muitas pessoas a sacrificarem seus aspectos naturais. Como substrato disso, nota-se o aumento da prevalência de distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia, que defraudam a qualidade de vida e podem levar à morte.

Além disso, outro vetor recai sobre a atuação da mídia. Conforme o filósofo Noam Chomsky, existem algumas estratégias usadas pelos donos do poder para realizar uma verdadeira manipulação mental por meio dos recursos de comunicação. Dessa forma, programas de TV, revistas e redes sociais veiculam uma imagem do “corpo perfeito”, que na verdade, é totalmente utópica. Assim sendo, o produto dessa assertiva é a alta exposição a procedimentos de alto risco, como cirurgias plásticas – tudo em nome da “beleza”.

Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas públicas de ensino, deve trabalhar para instruir as crianças quanto à autoaceitação, por meio de palestras e didáticas especiais, com auxílio de psicólogos, a fim de mudar essa mentalidade desde a base da geração. Paralelamente, a Secretaria de Comunicação Social, órgão responsável pela promoção da informação, deve contribuir para a resolução dessa problemática, por intermédio de campanhas publicitárias que abordem a valorização de todos os estereótipos, para que haja a ruptura desse padrão de beleza “esmagador”.