O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 02/10/2022
Em certo momento da série televisiva da Globo “Malhação: viva a diferença”, de 2017, a personagem Keyla, ao se sentir desconfortável com o próprio corpo após ter sofrido insultos sobre o seu peso, resolve comprar, clandestinamente, remédios para emagrecer. Posteriormente, ao tomar diversas doses do produto sem regulamentação médica, acaba tendo uma parada cardíaca e colocando a própria vida em risco por conta de sua obsessão por emagrecer. Nesse contexto, o trabalho de ficção representa o Brasil atual, onde várias pessoas - principalmente mulheres -, por conta da grande pressão social à padronização corporal, prejudicam tanto a própria saúde física quanto psicológica em busca de uma beleza irreal e se veem privadas da liberdade sobre seus próprios corpos.
Antes de tudo, faz-se necessário perceber que o padrão de beleza atinge mais as mulheres, visto que, no Brasil, mais de 90% das mulheres próximas aos 35 anos se sentem pressionadas a se encaixarem em uma beleza ideal, segundo pesquisa da Edelman Intelligence, em 2016. Sob esse viés, percebe-se a influência histórica do machismo sobre a sociedade brasileira, onde a mulher, tradicionalmente, sempre teve que ajustar seu corpo e sua aparência para agradar o olhar alheio, e não o seu próprio, o que gerou e gera, até hoje, uma falta de liberdade e autonomia sobre seu próprio corpo, um direito que deveria ser inerente a todos.
Além disso, a padronização corporal não só pode encadear problemas físicos (como os efeitos da anorexia e bulimia), mas também problemas psicológicos como depressão e as tantas outras doenças que assolam a sociedade contemporânea (ansiedade, TOC, etc.), segundo a psicanalista Maria Lucia Homem, em entrevista para a Folha de São Paulo.
Portanto, faz-se necessário o combate à padronização corporal e o estímulo a beleza sustentável, a partir da criação de campanhas e parcerias do governo com empresas de produtos cosméticos para disseminar a autoaceitação dos corpos únicos e do cuidado saudável da própria beleza, para assim evitar a persistência da imagem corpo idealizado irreal e trazer uma maior saúde para a população, tanto física quanto psicologicamente.