O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 08/10/2022
Na série “O preço da perfeição”, da Netflix, o personagem Oren, ao tentar se adequar ao estereótipo exigido aos bailarinos, desenvolve um distúrbio alimentar. Embora ficcional, a série aborda um problema comum no Brasil: a imposição de padrões corporais. A partir desse contexto, é indispensável analisar os fatores que motivam essa situação e compreender os impactos gerados na sociedade.
A princípio, é importante destacar que a tendência social a seguir determinados comportamentos repercute na uniformização de arquétipos. Isso acontece porque, assim como já teorizado pelo sociólogo Pierre Bourdieu a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz as estruturas sociais a ela impostas. Sob essa ótica, nota-se que o estabelecimento de um conceito corporal ideal é aceito e repercutido pela sociedade, sobretudo no que diz respeito às mulheres – cujo corpo é valorizado apenas quando está adequado à estética de prestígio. Assim, o enaltecimento de determinadas características físicas promove a marginalização social daqueles que se encontram aquém do necessário para serem aceitos socialmente.
Além disso, os meios de comunicação corroboram a idolatria a certos formatos corporais. Tal questão ocorre, pois, sob o viés de Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural manipula a opinião social com o intuito de formar uma percepção comum. Nessa perspectiva, observa-se que as redes sociais influenciam as pessoas, sobre-tudo devido ao crescimento das chamadas influenciadoras digitais, as quais, por meio da postagem e da manipulação de fotos com físicos considerados ideais, estimulam e perpetuam padrões de corpo. Consequentemente estimula-se o desenvolvimento de distúrbios alimentares e de imagem, além da ansiedade e depressão, numa tentativa de se adequar aos estereótipos exigidos.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro. Para isso, os meios de comunicação, principalmente os canais televisivos e a internet – elaborem campanhas que desconstruam os padrões corporais impostos pela sociedade. Isso deve ocorrer por meio de propagandas que mostrem a multiplicidade de estereótipos presentes na sociedade e que todos são únicos de acordo com suas individualidades. Visa-se, assim, promover a autoaceitação e inibir a marginalização baseada em arquétipos na sociedade.