O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 21/10/2022
Durante a pandemia da COVID-19 muitas pessoas se viram obrigadas ao isolamento social como forma de mitigar a doença. No entanto, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o isolamento evidenciou o chamado Efeito Zoom, caracterizado como uma exposição em excesso das alterações corpóreas, levando muitos indivíduos a um descontentamento acentuado com o próprio corpo, sendo esse motivado pelo aumento do consumo de vídeos, séries e filmes, onde artistas exibem padrões corporais “perfeitos”, mas, de certa forma, inalcançáveis por maior parte da sociedade.
Sob essa ótica, o aumento no número de cirurgias plásticas durante a pandemia é um fenômeno que corrobora com a SBCP. Atualmente, o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, com cerca de 1,5 milhão de cirurgias anuais, de acordo com o levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e da SBCP. Entre os mais jovens de 13 a 18 anos, o aumento foi de 140% no número de cirurgias plásticas, com a rinoplastia e preenchimentos faciais liderando a estatística nessa faixa de idade.
Outrossim, o uso e abuso de medicamentos, como supressores de fome, esteroides anabolizantes, entre outros é um fator preponderante na problemáticas. De acordo com o filosofo alemão Arthur Schopenhauer, “O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem”. Dessa forma, a pouca cobertura da mídia acerca do tema como um todo leva muitos indivíduos a abrirem mão da própria saúde em busca de um corpo visto como perfeito, o que pode ser evidenciado por transtornos como anorexia, bulimia e vigorexia, onde os indivíduos nunca estão satisfeitos com próprio corpo e tem atitudes que debilitam mais a própria saúde nessa busca incessante.
Portanto, ações devem ser tomadas com o fim de atenuar a problemática. O Estado, através dos Ministérios da Saúde e Educação, em conjunto com as mídias, deve veicular campanhas de conscientização que fortaleçam a relação de auto aceitação dos brasileiros, visando a formação de uma sociedade menos alienada pelos padrões de beleza “hollywoodianos” e mais feliz com si mesmo.