O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/11/2022

A conhecida e hodierna Quarta Revolução Industrial mistura técnicas de produção de vanguarda com sistemas inteligentes que se integram com as organizações e pessoas. Um exemplo disso é a criação dos “smartphones” - aparelhos responsáveis por conectar sujeitos de diversos lugares através do uso da internet e redes sociais - que permeiam a vida cotidiana dos seres humanos. Nessa perspectiva, com o aumento das conexões entre indivíduos, emergiu-se um culto à padronização corporal no Brasil. Esse cenário configura, então, a alta definição dos gostos e a mentalidade social despreparada dos civis.

Em um primeiro momento, vale compreender a relação entre o contexto e a composição de gostos. Segundo o conceito de “Habitus” de Pierre Bourdieu, sociólogo francês, no qual ele afirma a presença de tendências organizadoras, na sociedade, das formas pelas quais os indivíduos percebem e reagem ao mundo, é concebível inferir as imposições da Era da Informação no surgimento de padrões - em larga escala, devido ao alcance da comunicação on-line - graças à aceitação de um gosto em comum entre uma maioria. Dessa maneira, é possível explicar o culto à um padrão físico e, podendo ele ser inalcançável, acarretaria problemas como a exclusão, baixa autoestima e até mesmo a depressão de cidadãos.

Em um segundo momento, é inevitável dissertar sobre a mentalidade social que antecede esse novo cenário. Nessa direção, com as novas ferramentas disponíveis na era atual, os seres humanos enfrentam um cenário recente e, por consequência, estão despreparados para concebê-lo. Favorece trazer a ideia de Hannah Arendt, filósofa alemã, de que o fim do suporte de categorias tradicionais para o enfretamento de chagas é um forte agravante do incoveniente. Percebe-se que o mesmo ocorre com o uso indiscriminado das inovações tecnológicas. Assim, é urgente tentar aprender a pensar sem as antigas formas de compreensão da realidade.

Portanto, é imprescindível desenvolver ações vinculadas capazes de lidar com o quadro. Cabe ao Poder Executivo - órgão administrador - investir em estudos, psicológicos e sociológicos, que indiquem formas eficazes de lidar com as inovações, por meio de pesquisas em faculdades públicas e com a finalidade de mitigar os efeitos do mau uso das ferramentas que acompanham a revolução supracitada.