O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 11/11/2022
O Parnasianismo, movimento literário que surgiu no século XIX baseava-se, principalmente, no culto da forma e nos detalhes estéticos. Analogamente ao movimento, a realidade brasileira se assemelha a do século XIX, uma vez que o culto à padronização corporal se faz latente. Sob esse prisma, faz-se necessário analisar o que motiva esse culto, bem como este reverbera na atual sociedade brasileira.
Com base nesse cenário, percebe-se a manipulação midiática como principal motivador desse revés. Nesse sentido, Adorno - filósofo da escola de Frankfurt - afirma que a indústria cultural possui padrões que se repetem com a intenção de formar uma estética comum. Tal premissa coincide com o comportamento da midia atual, uma vez que a mesma promove a padronização corporal quando, por exemplo, escala sempre atores com as mesmas características físicas em séries e filmes. Por conseguinte, esse comportamento acaba provocando um culto à estética, parecido com o que o parnasianismo praticava.
Ademais, é preciso salientar a omissão civil como causador desse culto à padronização corporal. Desse modo, em sua obra chamada “Banalidade do mal” Hannah Arendt discorre sobre o resultado do processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados e aceitando situações sem questionar. Essa perspectiva simboliza o comportamento da sociedade diante do culto à padronização corporal no Brasil, já que é a habitualidade frente à questão que o agrava.
Portanto, vê-se que a manipulação midiática e a omissão civil são os principais fatores motivadores do culto à padronização corporal no Brasil. Logo, é dever da família - na figura dos pais ou responsáveis - ensinar aos seus filhos sobre a importância da autoestima e a se amar da maneira que são, a fim de crescerem satisfeitos consigo mesmo e não cederem ao culto à padronização corporal. Tal ação pode ser realizada a partir de conversas frequentes no lar ou em passeios mais didáticos.