O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 27/09/2023
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa Simone de Beauvoir, pode facilmente ser aplicada ao culto à pa-dronização corporal no Brasil, já́ que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Desse modo, a-gravam o quadro central a manipulação midiática e a falha educacional.
Nesse contexto, é evidente que o culto à padronização corporal no Brasil é fre-quentemente alimentado pela manipulação midiática, que impõe padrões inatingí-veis de beleza. Visto que Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Brasil é um dos maiores consumidores de produtos relacio-nados à estética e beleza no mundo, refletindo a pressão exercida pela mídia para que as pessoas atendam a esses padrões. Dessa forma, a exposição constante a imagens idealizadas de corpos perfeitos em revistas, televisão e redes sociais con-tribui para a insatisfação corporal e leva à busca por intervenções cirúrgicas e pro-cedimentos estéticos muitas vezes desnecessários.
Além disso, a falha educacional sobre esse quadro é outro fator que cristaliza ain-da mais essa conjuntura. Isso ocorre, pois, a ausência de programas educacionais que promovam a valorização da diversidade de corpos e a importância da saúde mental, em relação à imagem corporal, contribui para a perpetuação do culto à pa-dronização e para a disseminação de ideais de beleza. Dessa forma, os jovens es-tão vulneráveis à influência dos meios de comunicação e das redes sociais, o que resulta em uma sociedade que muitas vezes não compreende a importância da di-versidade e não está equipada para reconhecer e combater a pressão por uma pa-dronização que não deveria existir.
Portanto, diante da situação exposta, o governo federal, através do Ministério da Educação, deve, por meio de palestras nas escolas e campanha nas grandes mídi-as, fomentar o debate sobre essa questão. Isso incluirá a participação de profissio-nais como psicólogos, de modo a conscientizar sobre a importância da diversidade, do cuidado pessoal, da saúde da psique, a fim de cultivar na sociedade uma menta-lidade crítica e autônoma. Assim, construirá uma nação com mentes fortes, que não se espelha por padrões distorcidos e está condicionada ao respeito.