O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 05/10/2023
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade em que todos possuem seus direitos assegurados de forma efetiva, além de relatar um cenário livre de problemas políticos e sociais. No entanto, a realidade brasileira é contrária ao que o autor prega, já que o culto à padronização corporal é uma celeuma persistente. Isso ocorre ora pelo descaso governametal, ora pelo silenciamento social.
Sob esse viés, é notório que a omissão governamental é um grave empecilho. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto a valorização do capitalismo, que impõe padrões de beleza inalcançaveis com objetivo de criar necessidades de consumo, deixando de lado a saúde física e mental principalmente das mulheres, no qual o governo está cumprindo seu papel como agente fornecedor de direitos mínimos, gerando uma falsa sensação de cidadania. Assim, para que esse bem-estar seja usufruído o Estado precisa sair da imobilidade em que se encontra.
Além disso, a falta de discussão é um grave impasse. Djamilla Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Contudo, há um silenciamento instaurado na questão da felicidade estar diretamente relacionada a ter um corpo perfeito, isso é mostado em diversos filmes joviais, como em “Meninas Malvadas”, em que o pior castigo para a vilã foi deixa-la gorda, uma vez que pouco se fala sobre isso nas mídias de grande acesso, tratando essa pauta como algo supérfluo. Logo, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a filósofa.
Portanto, é imprescindível agir sobre esse cotexto caótico. Para isso, o Governo Federal deve criar uma agenda específica levando apoio psicológico em ambientes de trabalhos e escolas, por meio da organização de projetos e fundos, a fim de reverter o descaso governamental que afeta à padronização corporal. Paralelamente, é preciso intervir no silenciamento presente no problema, lutando por filmes mais inclusivos. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de More na sociedade brasileira.