O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/10/2023
A saúde é um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988. Todavia, essa prerrogativa não se cumpre, visto a persistência do culto à padronização corporal, o qual pode causar os transtornos alimentares. Nesse quadro, a negligência governamental e a manipulação midiática agravam a temática.
Em primeiro ponto, é nítido o descaso do Estado com esse revés. Sob essa perspectiva, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que algumas instituições pós-modernas configuram-se em um estado zumbi, não cumprindo com suas respectivas funcionalidades sociais. Assim age o Ministério da Saúde, que não realiza sua função de gerência da saúde pública quando não aborda a questão da padronização corporal e suas ramificações. Dessa forma, ele permite crescimento do problema, acarretando no aumento de casos de transtornos alimentares, tal qual a bulimia, a anorexia e a ortoroxia. Consequentemente, crescem os casos de problemas relacionados aos transtornos, sendo esses tanto físicos, como a subnutrição e a obesidade, como também psicológicos, afetando a autoestima de quem não se encaixa nesses rígidos, e por vezes inalcançáveis, padrões corporais.
Além disso, a mídia possui um grande papel na perpetuação do culto ao padrão corporal, utilizando-o de forma a vender um produto ou estilo de vida. Nesse viés, o pensamento marxista alega que, no sistema capitalista, há a priorização do lucro em detrimento dos valores. Dessa maneira, percebe-se que a mídia opera nessa lógica, objetivando manter a massa insatisfeita com seu próprio corpo para vender algo, mesmo que isso implique na deteriorização da saúde da população. Atualmente, esse modo de operação é exemplificado com as pílulas e equipamentos que se dizem milagrosos, sempre focalizando no aspecto de perda de peso e quase nunca na saúde, geralmente representando um antes e depois que demonstra o ideal do corpo empurrado pela mídia.
Depreende-se, por conseguinte, que essa problemática é cotidiana, porém pouco debatida. Portanto, cabe à mídia - como TV Globo, SBT e Record -, por meio de campanhas publicitárias, denunciar esse padrão com a finalidade de elucidar o povo. Outrossim, o Ministério da Saúde deve, através de verbas governamentais, instituir um programa integrado a fim de auxiliar as vítimas desse culto.