O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 09/01/2024
Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante o direito à saúde a todos. Entretanto, com recorrência, observa-se como os brasileiros negligenciam o próprio bem-estar em busca de um “corpo perfeito”. Com essa prática infeliz, parte da população deixa de usufruir do SUS - um direito constitucional- para procurar em outros locais essa suposta perfeição.
Diante deste problema, o culto à padronização corporal fragiliza a dignidade humana da sociedade. Estatisticamente, aqueles que mais visam essa perfeição corporal são jovens e mulheres. Tais grupos anseiam tanto ter um “corpo padrão” que esquecem dos riscos que isso pode ocasionar durante o processo, como danos à saúde física e mental.
Ademais, é comum ver o caso de pessoas que optaram por fazerem procedimentos estéticos corporais. Procedimentos esses que muitas das vezes são bastante invasivos e que se feitos erroneamente podem causar danos físicos permanentes. É crescente essa “moda” e também preocupante, visto que por conta dos altos valores, muitos pacientes procuram por locais mais baratos e sofrem o risco de terem o procedimento realizado não por um profissional, mas sim por alguém que comprou um diploma. Tais locais são despreparados e não regulamentados pela vigilância sanitária.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para combater a padronização corporal. Nesse sentido, as escolas - responsáveis pela transformação social - devem ensinar os jovens que a padronização corporal é uma premissa errada e a reconhecer os riscos envolvidos com essas práticas, por meio de projetos pedagógicos, como palestras e rodas de conversa. Essa iniciativa terá a finalidade romper esse ciclo de pressões e padrões estéticos que os jovens, mulheres e a sociedade brasileira como um todo vem sofrendo.