O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 17/03/2024
De acordo com uma pesquisa realizada pela Edelman Intelligence, 83% das mu-lheres se sentem pressionadas para se encaixarem no padrão de beleza socialmen-te imposto. Tal cenário é fruto de uma cultura que cada vez mais valoriza a estética acima de tudo, levando aqueles que não se conformam nos moldes impostos a se-rem socialmente colocados em um lugar de inferioridade perante os demais.
O ideal, que antes era representado por atores e atrizes em produções midiá-ticas, podendo ser visto como algo distante da realidade de pessoas comuns ou totalmente inatingível por elas, agora - devido à popularização das redes sociais - é visto como algo mais tangível para o brasileiro médio. São milhares de postagens chegando aos internautas a todo instante, perfis totalmente dedicados a divulgar rotinas e tratamentos que conduziriam aqueles que os seguissem a atingir o ideal estético.
Indubitavelmente, a propagação destes conteúdos resulta em problemas sérios de autoestima e até em problemas de saúde, como a anorexia e a depressão, a-queles que não estão dentro do padrão se veem obrigados a alterar seus corpos, muitas vezes de maneira drástica, para poderem ser socialmente aceitos enquanto os que já se encontram dentro deste padrão estabelecido se sentem pressionados a continuarem a aumentar a rigidez de suas rotinas, em detrimento de suas re-lações, para conseguirem manter a forma corporal.
Dessa maneira, para ocorrer uma maior conscientização acerca dos problemas de saúde resultantes do culto à padronização corporal, a grande mídia, com seu papel de formadora de opinião, deve colocar em suas produções pessoas consi-deradas fora do padrão em papéis equivalentes aos daqueles conformantes e não no lugar de inferioridade e chacota que na maioria das vezes são colocados.