O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/03/2024
Em 2022, uma participante do programa “Big Brother Brasil” foi notada, tanto pelo público leigo, quanto por especialistas, por seu transtorno corporal dismórfico. A jovem Bárbara Heck tinha um corpo que já atendia aos padrões de beleza e, mesmo assim, fazia poucas refeições ao dia e se tratava como uma pessoa que precisava perder peso. Transmitido em rede nacional, o caso abriu portas para a discussão importante que é a pressão sofrida pelas mulheres para atender a um corpo ideal e como elas mesmas se enxergam no processo.
Haja vista que, desde a infância, as meninas brasileiras são submetidas a um processo de atingir o corpo perfeito, instala-se um padrão no país que deve ser combatido. Antes mesmo de atingir a puberdade, as garotas precisam lidar com vários comentários acerca de seu peso, de seu tamanho, de seu cabelo, de suas unhas, e todo um conjunto de itens que compõe sua aparência. Infelizmente, estes comentários são enraizados na mente das garotas, que levam isso para o resto de suas vidas.
Devido a isso, as crianças, principalmente as mulheres, estão envolvidas por uma pressão, interna e externa, ao corpo ideal. Esse corpo ideal passa a ser um objetivo a ser alcançado, de forma que as próprias necessidades físicas e mentais são negligenciadas. Acarreta-se, então, uma série de transtornos alimentares que incluem privação de alimentação, exagero em exercícios físicos e distorção de imagem aliada à baixa auto-estima. Entretanto, por mais que seja de conhecimento geral que um transtorno alimentar é uma condição ruim, a população permanece em seu pensamento de cultuar um corpo padronizado, visto como perfeito.
Portanto, para que os efeitos negativos da pressão a um corpo ideal sejam diminuídos, deve-se esclarecer para a população a importância de mudar os próprios hábitos. O Ministério da Comunicação, juntamente com o Ministério da Saúde, precisa investir em reforçar as causas e consequências da pressão social no ser humano. Através de campanhas publicitárias que atinjam o público, tanto feminino, quanto masculino, os brasileiros tomarão consciência do mal que estão fazendo para o físico e psicológico dos outros e de si mesmos. Apenas assim, casos como o de Bárbara poderão ser reconhecidos, controlados, e até mesmo evitados.