O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 19/06/2024

No preâmbulo da Constituição Federal de 1988, declara-se o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça. Apesar disso, percebe-se, na realidade brasileira, a falta de aplicação desses princípios em diversos casos, destacando-se o culto à padronização corporal. Em síntese, esse cenário ocorre principalmente pelas redes sociais e pela falta de educação crítica.

Sob esse viés, é válido destacar que a disseminação da internet foi dos principais fatores que amplificaram a padronização cultural no Brasil. Desse modo, os filtros presentes nas redes sociais, como cita o livro “O filtro invisível”, criam um mundo personalizado para cada um. Assim, quando se consume os conteúdos de uma pessoa, o filtro apresenta mais opções semelhantes, fazendo com que o indivíduo tenha a falsa sensação de que aquele padrão corporal é o certo e bonito e, com a exposição constante a esses conteúdos, torna-se quase uma autopropaganda invisível, gerando um gatilho para que alguns recorram a procedimentos estéticos, por exemplo.

Além disso, faz-se importante que os indivíduos sejam capazes de reconhecer a realidade em que se encontram e valorizar as particularidades de cada um. Dessa forma, segundo John Dewey, a educação deve ser crítica, ou seja, orientar e permitir que os alunos aprendam com as experiências. Logo, percebe-se no Brasil que não há um suporte na escola para se falar da tecnologia e os perigos advindos dela, e nem da valorização de padrões diferentes. Assim, os alunos saem da escola sem uma educação que estimule o pensamento e a criticidade e, quando expostos diariamente e por longas horas a um sistema muito personalizado, acabam tendo a visão limitada e sendo influenciados a buscar um padrão corporal inatingível.

Portanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pela gestão dos ensinos, deve promover campanhas e cursos gratuitos nas escolas sobre a tecnologia e como usá-la de forma responsável e sobre a valorização de diferentes formas de beleza. Isso será feito por meio da capacitação dos professores para abordarem sobre a diversidade em sala de aula de maneira mais profunda, para que os indivíduos se aceitem do jeito que são, sem a pressão dos padrões sociais.