O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/07/2024

O filósofo e sociólogo, Zygmunt Bauman, teoriza sobre a sociedade líquida, isto é, a forma em que o mundo sofre com a inversão de valores e se concentra em visões superficiais, como a idealização de um corpo perfeito que é imposta à humanidade. Fora da teoria, no Brasil atual, é possível identificar a crítica exposta pelo estudioso, visto que o culto à padronização corporal é uma realidade. Nesse viés, analisa-se a falta de debates e a ineficácia legislativa como pilares do problema.

Nesse contexto, evidencia-se que a ausência de discussões é um fator determinante para a persistência do problema. Nessa perspectiva, pode-se citar o filme “O Mínimo Para Viver”, o qual aborda a história de um grupo de pessoas que passam pelo processo de distúrbio alimentar ocasionado pelo desejo de atingir o corpo idealizado pela indústria cultural. Para além das telas, observa-se que o mesmo ocorre no Brasil, haja vista que pouco se fala nas redes sociais sobre os malefícios do culto ao padrão corporal. Isso devido à existência de grandes empresas que dominam as mídias e direcionam o pensamento dos seus usuários, fator que potencializa a ocorrência de distúbios alimentares, análogo ao filme supracitado. Dessa forma, ocorre a perpetuação da busca pela padronização do corpo, o que torna mais difícil erradicar a ocorrência desses casos.

Além disso, é evidente que a ineficácia legislativa influi fortemente na consolidação da problemática. Sob essa ótica, cabe mencionar que, de acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, todos os seres humanos possuem os mesmos direitos acerca do exercício da cidadania, como a liberdade do corpo e de expressão. Contudo, a existência da pressão para o estabelecimento de um padrão corporal demonstra a falta de efetivação das leis impostas, uma vez que há empresas que impõem o que deveria ser o corpo ideal por meio de propagandas e do consumismo. Desse modo, a base legal deve ser fotalecida para que o impasse seja resolvido e a condição de cidadania garantida.

Diante disso, é preciso que o Ministério das Comunicações, por meio de uma campanha nacional, promova a divulgação de postagens informativas acerca do culto à padronização corporal e maneiras de combatê-la, com a finalidade de mitigar a falta de debate e diminuir os casos existentes.