O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/05/2018

No que se refere ao culto à padronização corporal no Brasil, pode-se afirmar que essa prática vem crescendo no país tanto por influência midiática, quanto pela social, e vem afetando fisicamente e psicologicamente esses indivíduos. Nesse sentido, é fundamental a desconstrução dos conceitos de perfeição corporal na sociedade e a intervenção de propagandas que distorcem a realidade.

Em primeiro plano, a influência da mídia é umas das principais causas da temática, de modo que, as publicidades como da empresa Victoria Secret’s (grife de roupas íntimas) que exibe suas modelos muito magras com costelas a mostra e pernas finas, normatize a magreza extrema em cima de um símbolo sexual feminino, dessa maneira, o sociólogo Adorno dizia que a mídia cria certos esteriótipos que tiram a liberdade de pensamento, forçando muitas vezes imagens errôneas. Desse modo, o Brasil ocupa o segunda colocação do ranking mundial de cirurgias plásticas segundo o G1, porém, os indivíduos com menor poder aquisitivo acabam por optar procedimentos que podem ser considerados mais agressivos, como dietas que causam desnutrição podendo levar ao desenvolvimento de bulimia e\ou anorexia para alcançar o padrão estético.

Ademais, as vítimas sofrem uma grande pressão social que pode ser explicado pela teoria “Fato Social” de Durkheim que dizia que, a maneira coletiva de pensar é dotada de generalidade, exterioridade e coercitividade, ou seja, que o indivíduo adquire hábitos por vivência em grupo. Sendo assim, a cronologia histórica não nega, desde a idade média as mulheres se espremem em espartilhos até ficar sem ar e na atualidade não seria diferente, entretanto, agora existe um maior poder influenciador, um circulo vicioso do corpo social e da mídia, isto é, os homens e as mulheres são criticados por sua fisiologia na sociedade, e em um momento frágil de não aceitação acabam por buscar apoio nas publicidades falaciosas e “photoshopadas”.

Entende-se, portanto, cabe ao Legislativo, por intermédio de uma lei que proíba modelos muito magras e imagens com photoshop sem descrição do uso, assim como acontece nos países como a França, para que as pessoas estejam cientes de alterações corporais tanto por computadores quanto por compulsões alimentares e entendam a impossibilidade de conseguir um corpo que na verdade é falso. Cabe também ao Ministério da Saúde, por meio de propagandas televisivas e virtuais, avisar sobre os riscos de se submeter a dietas “milagrosas” que podem desenvolver doenças como bulimia, anorexias, entre outras, para que a comunidade esteja ciente dos malefícios que a compulsão pela estética pode trazer. Por fim, cabe ao Ministério das Comunicações, por meio de folhetos virtuais, a importância de se valorizar a diversidade fisiológica, assim como a empresa Dove faz.