O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/07/2018

Os perigos da busca por corpos esculpidos

Segundo o racionalista alemão Christian Wolff, a cognição sensível da perfeição é a beleza, que  se traduz em um conjunto de harmonia e ordem. Porém, para ele , as opiniões sobre a estética são relativas à sensibilidade de cada pessoa. Mas, de forma irônica, a padronização corporal trata-se de uma imposição ocidental sobre o que é belo em termos de escala mundial, reproduzindo esse arquétipo desde os períodos coloniais — o culto à mulher branca e magra. Deste modo,a  problemática pode ser vista na massificação da mídia em firmar esse sistema por meio de celebridades e digital influencers, que corroboram para o crescente número de cirurgias plásticas, onde alguns perigos estão envolvidos.

Outrossim, ao analisar a propagação do culto ao corpo perfeito, é visível a influência que plataformas digitais como blogues, realities, Instagram e Vogue mantém sobre a população. Desta forma, após o Reality Show “Keeping Up With The Kardashians” ter estreado, houve a popularização massiva de cirurgias como: preenchimento de lábios, de bumbum, lipoaspiração e afinação do rosto (bichectomia).Com isso, a aparição de celebridades “naturais” tornou-se cada vez mais rara, enfatizando para a população que o padrão de beleza a ser seguido é somente conquistado pela disponibilidade de renda e mudanças na aparência.

Ademais, como principal consequência no Brasil, o número de procedimentos estéticos intensificou-se de forma descontrolada, pois, as classes subjacentes, ao procurar por cirurgiões plásticos que cobrem barato e que muitas vezes não seguem as normas regulamentadas pela medicina, colocam-se em risco de vida. Recentemente, a bancária Lilian Calisto submeteu-se à um procedimento de aumento dos glúteos com o esteticista conhecido como “Dr.Bumbum”, no apartamento dele. Mas, após complicações, ela veio à óbito. Logo, é visível a falta de informação mediante à esses procedimentos aos clientes, pois não há instrução dos possíveis riscos. Infelizmente, os casos de tragédia, como o de Lilian, são considerados “fatalidade”, ao invés dos médicos responsáveis serem rigorosamente punidos.

É notória, portanto, a cobrança social para que a sociedade se submeta a seguir arquétipos, bem como o perigo envolvido. Dito isso, urge que o Conselho Federal de Medicina (CFM) institua políticas severas sobre a atuação de médicos irresponsáveis, como a cassação infinda do registro.Além disso, para assegurar a fiscalização, o Legislativo, em consonância com a Polícia Federal, deveriam criar um órgão especializado no julgamento de crimes médicos, para intimidar e diminuir os profissionais que estejam no exercício ilegal da profissão.Também, o CFM deveria deixar público o registro de queixas desses profissionais, para aumentar a confiança e a segurança da população ao optar por cirurgias.