O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 25/04/2018

O padrão que eu quero é estar dentro do padrão

O senso comum estético, existente há muito tempo, julga as características físicas de cada ser, classificando-as em agradáveis ou não. No entanto, fazer certo aspecto tornar-se aceitável e belo na sociedade parte de princípios excludentes e preconceituosos, e, ainda, de interesses lucrativos de grandes empresas. Tal julgamento causa grandes impactos nas vidas de pessoas consideradas fora do padrão e traz à tona a discussão a respeito do culto ao padrão de beleza no Brasil.

A princípio, o senso comum estético tem como função caracterizar, da maneira global, o que é belo. No entanto, associada a pensamentos preconceituosos e excludentes, como exemplo da difícil aceitação de traços negroides, e aos interesses lucrativos de grandes empresas, o senso estético acaba se tornando, conjunto ao padrão corporal, postura inalcançável e irreal, causando diversos problemas na sociedade, que busca de maneira obsessiva tal padrão. O apelo midiático, é um dos grandes vilões, pois na venda de produtos para beleza e na fetichização da comida, exibindo programas como o Masterchef e propagandas de “trash foods”, cria-se um ciclo vicioso de consumo entre comidas não saudáveis e corpos perfeitos.

Contrastando com a mídia, programas digitais embelezadores figuram imagens idealizadas pela sociedade, mas de impossível obtenção na realidade, resultando em altos índices de transtornos alimentares, problemas psicológicos e até mesmo, em casos mais graves, suicídios pela falta de aceitação. Isso afeta diretamente a sociedade, uma vez que, a insegurança é totalmente ligada a questões sociais e o emprego de atividades. No Brasil, influenciadores como Anitta e a família Kardashian comprovam o culto à beleza irreal, demonstrando que intervenções até mesmo cirúrgicas devem ser usadas para conquistar o tão sonhado padrão, o que acaba descaracterizando o próprio perfil do brasileiro que é composto por várias etnias e, consequentemente, por vários traços distintos.

Para a problemática citada, algumas medidas podem ser tomadas a fim de amenizar os danos causados à sociedade. A mídia, como principal dissipadora dessa ideia, deve remodelar seus padrões de beleza, dando oportunidade para pessoas de várias etnias e características, a fim de criar um ambiente de aceitação para todos. Nas escolas, o assunto deve entrar em pauta na programação letiva, proporcionando uma ampla visão para crianças e adolescentes, demonstrando as diferenças e reforçando a igualdade. É preciso desmistificar o padrão de beleza cultuado e ensinar para as novas gerações que é possível ser belo sem maquiagens, cirurgias e problemas psicológicos.