O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/05/2018

No que se refere ao culto à padronização corporal no Brasil, é possível afirmar que esse padrão cultural é nocivo à sociedade. Isso se evidencia não só pela disseminação de um modelo de beleza artificial, mas também pela discriminação dos indivíduos que destoam do arquétipo celebrado.       Corpos magros, seios volumosos, narizes afinados, tudo, sem exceção, à semelhança de um departamento de vendas de produtos automotivos, é ofertado ao público que esteja disposto a pagar. Tal prática é confirmada pelos dados: o Brasil já é o segundo país do mundo em que há maior número de cirurgias estéticas. Constrói-se, assim, um paradigma de beleza inatingível de forma natural.

Além disso, percebe-se que essa concepção idealizada produz padrões estereotipados na sociedade que ora se apresenta de forma nítida, ora de modo dissimulado. O mercado da moda, por exemplo, privilegia explicitamente mulheres magras; nos principais jornais do horário nobre da televisão brasileira, da mesma forma, impera a presença de apresentadoras com padrões clássicos de beleza, apesar de não se admitir isso como critério de seleção.

A concepção de um modelo corporal criado deve, portanto, ser rechaçada. Nesse sentido, é fundamental a participação de forma sistemática da sociedade. Assim, ao setor privado caberia não mais associar exclusivamente à pessoa magra a ideia de beleza. Já as mídias televisivas, por se tratar de uma concessão pública, deveriam cumprir seu papel social e retratar a sociedade tal como ela é, e não lograr formatá-la ao seu desejo. E os cidadãos, por sua vez, devem apreender de forma mais crítica as propostas que lhes são destinadas diariamente, pois serão eles que, ao término e ao cabo, por meio do ato da compra e da escolha de um canal em detrimento de outros, definirão a orientação que será seguida. Ter-se-ia, então, uma sociedade mais racional e menos suscetível a imposição de padronizações esdrúxulas.