O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/04/2018

De um lado, a grande mídia e a poderosa indústria da beleza, do outro, as organizações nacionais e internacionais em defesa da saúde e do respeito à diferença e, no meio deste “fogo cruzado”, estão os cidadãos, fortemente influenciados por padrões de beleza impostos pelo primeiro grupo. Nesse cenário, não só problemas de saúde, mas também o bullying são gravíssimas consequências da busca por padrões de beleza idealizados. Com efeito, um diálogo entre poder público e coletividade visando minimizar essas consequências é medida que se impõe.

Em um primeiro plano, o comprometimento da saúde é a principal consequência que pode ser causada pela busca incessante da beleza idealizada. Um excelente exemplo disso foi o ocorrido com o famoso cantor baiano Netinho, o qual foi afetado por paradas cardíacas e acidente vascular encefálico, problemas esses causados, segundo os médicos, pelo uso de anabolizantes. Nesse sentido, o desejo do cantor de ter um corpo musculoso, socialmente visto como belo, o fez adotar medidas extremas – mas não raras hodiernamente – para atingir o ideal, trazendo consequências irreversíveis.

Outro ponto que pode ser debatido é o bullying sofrido por aqueles que não se encaixam nos padrões idealizados. Conforme o sociólogo polonês, falecido em janeiro de 2017, Zygmunt Bauman, o individualismo é a principal característica da pós-modernidade. Nesse ponto de vista, apesar de ser um país multiplural, tanto étnica quanto fisicamente, ainda há muitos indivíduos que julgam àqueles que divergem do ideal de beleza imposto socialmente e praticam o bullying. Desse modo, a sociedade deve mobilizar-se objetivando mitigar o individualismo ou, pelo menos, evitar as atitudes discriminatórias e propagar o respeito.

O trabalho conjunto entre Estado e sociedade civil é, portanto, essencial para atenuar essas graves consequências. Para tanto, cabe ao Ministério da educação, com o suporte de profissionais especializados, como médicos e psicólogos, elaborar aulas e palestras que retratem os limites do culto ao corpo, dissuadindo os jovens a praticarem atitudes que comprometam saúde e bem-estar para atingir o ideal de beleza, evitando, assim, casos como o de Netinho. Ademais, as instituições que militam nessa área, como a ONG “A beleza ideal é a sua”, devem divulgar campanhas nas redes sociais – visto que têm um grande alcance – que repudiem o individualismo, especialmente os casos de bullying e, principalmente, promovam o respeito. Dessa forma, observada a ação conjunta entre Governo e corpo social, será possível defender o cidadão desse “fogo cruzado” e, consequentemente, garantir seu bem-estar.