O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 14/04/2018

O padrão de beleza é um fator inerente a qualquer período histórico, desde a Grécia Antiga, cuja referência feminina era um corpo cheio e sem curvas, até os anos de 1940, com a influência dos corpos esculturais das atrizes de hollywood. Analogamente, no Brasil, o padrão atual é veiculado na mídia e exemplificado por modelos corporais inatingíveis. No entanto, a obsessão por tais referências vem ocasionando distúrbios físicos e psíquicos em adolescentes e adultos. Nesse viés, é preciso desmistificar o conceito de ideal e promover a aceitação corporal pela sociedade.

Em princípio, é necessário ressaltar que os padrões estéticos são resultado da cultura de cada época e existem desde os primórdios. Contudo, o modelo atual privilegia determinadas classes sociais, etnias e gêneros. Além disso, as novas gerações são pressionadas a buscarem um corpo “saudável” para não serem segregadas socialmente. Diante disso, se submetem a dietas inapropriadas, exercícios exaustivos e procedimentos arriscados. Por conseguinte, é crescente o número de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, e a depressão, juntamente com o isolamento social. Com isso, depreende-se que a busca incessante pela padronização pode comprometer o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Em outro parâmetro, uma pesquisa realizada pela Dove revelou que 83% das mulheres brasileiras se sentem pressionadas a atingir padrões de beleza. Desse modo, constata-se que o gênero feminino é o alvo principal dos modelos impostos na mídia, pois além de satisfazerem seus desejos, devem ser bem vistas perante a sociedade. Segundo o pensamento do filósofo Durkheim, o fato social é a maneira de agir e de pensar exterior aos indivíduos e que exerce coerção sobre os mesmos. Assim, a cultura da sociedade impõe referências inatingíveis sobre as mulheres, submetendo-as a um ciclo de compulsões e frustrações.

Evidencia-se, portanto, que a problemática da padronização corporal necessita de soluções. Para isso, ONGs relacionadas aos direitos das mulheres devem promover campanhas, juntamente com a mídia, na televisão e internet, com propagandas enaltecendo a diversidade corporal e comportamental, além de incentivar o compartilhamento de textos e fotos sobre os diferentes estilos de vida, favorecendo, assim, a identificação de diversos grupos. Ademais, o Ministério da Educação deve promover palestras na escolas, com nutricionistas e psicólogos, expondo para crianças e adolescentes, a necessidade da qualidade de vida, em detrimento da estética e desmistificando a padronização corporal com o uso de filmes e peças teatrais. Por fim, as futuras gerações não sofrerão com a imposição, nem disseminarão um padrão segregacionista.