O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 17/09/2025
De acordo com o antropólogo David Le Breton, o corpo é como um rascunho que pode ser modificado, por isso não existe em seu estado natural mas protagonista de um coletivo social. Nesse sentido, o corpo humano modifica-se perante as transformações sociais, entretanto tais mudanças contribuem para moldar e consequentemente padronizar formas de corporeidade preestabelecidas, corroborando para com a veneração desses corpos. Assim, é necessário analisar o impacto das redes sociais e a idealização do corpo nas relações sexuais.
Em primeiro lugar, é importante salientar o impacto da utilização das redes sociais na visualização do eu. Nesse cenário, os usuários influenciadores das redes desenvolvem padrões corporais inexistentes com o propósito de “engajamento” nesses ambientes, uma vez que buscam o envolvimento do espectador do outro lado da tela. Desse modo, o sociólogo Erving Goffman denuncia a " teatralização do eu na vida cotidiana", em que os usuários das mídias sociais manifestam um personagem utópico daquele vivido cotidianamente. Dessa forma, cria-se o enaltecimento, no imaginário coletivo da sociedade, ao corpo ideal que adquire cada vez mais adeptos na busca por alcançar a beleza ficcional.
Em segundo lugar, é notório destacar a existência de um padrão corporal idealizado nas relações sexuais, por meio da cultura pornográfica. Nesse contexto, o fenômeno social da pornocultura, como ressalta a antropóloga Cláudia Attimonell, é exemplificado através da difusão das performances sexuais inverossímeis compartilhadas em plataformas virtuais; Tais performances exprimem o objeto de desejo sexual em um padrão físico predefinido como um corpo atraente idealizado, alterando as dinâmicas sexuais dos indivíduos.
Portanto, para mitigar os efeitos do culto a padronização corporal, urge o Ministério da Segurança remover o acesso de sites de conteúdo adulto a população, por meio do bloqueio sistemático desses ambientes virtuais, já que esses sites contribuem para uma anomalia social. Além disso, é necessário a colaboração de toda a sociedade civil para a diminuição e restrição da utilização das mídias sociais, por meio de propagandas que denunciam seus malefícios, a fim de reduzir a influência desses ambientes aos usuários.