O desafio de se conviver em sociedade
Enviada em 06/05/2026
Na obra A Revolução dos Bichos, de George Orwell, é dito que “somos todos iguais, mas alguns são mais iguais que outros”. Essa frase evidencia o surgimento de uma distinção social entre os bichos, que estabelece uma posição de superioridade dos porcos em relação aos demais. Fora da ficção, é nítida uma semelhança com a relação do modo de produção com o convívio da sociedade, o qual se torna cada vez mais violento diante do diferente. Dessa forma, para evitar o aumento da exclusão social e do individualismo, cabe ao Estado o papel regulador.
A princípio, a violência é um método de defesa contra o que é considerado diferente. Para Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea, orientada pela lógica capitalista, tende a classificar como inúteis aqueles que não participam da dinâmica de produção. Essa lógica visa desumanificar e criar um ideal social que, quando não alcançado, resulta na segregação dos indivíduos considerados fora do padrão. Decerto, reforçada por práticas de violência como o preconceito, o modo de produção proporciona a marginalização e a exclusão, e deve ser questionado.
Outrossim, a violência passa a ser internalizada contra o ser diferente, como previsto por Byung-Chul Han em sua obra Sociedade do Cansaço. A violência deixa de ser apenas externa e passa a se manifestar de forma interna, por meio da autoexploração e da pressão por desempenho. Nesse contexto, devido à hiperconectividade da sociedade atual, as mínimas diferenças em comparação aos outros causam perturbações na vida dos indivíduos, que cada vez mais se tornam individualistas, uma vez que socializar está vinculado a alcançar um ideal criado por um sistema que enxerga o indivíduo como produto, e não como sujeito.
Destarte, cabe ao poder público, por meio do Ministério da Educação e da Cultura, criar programas de incentivo, como palestras, que visem desmistificar esse ideal social e conscientizar a população sobre a criminalidade da violência, seja ela direta ou indireta, bem como suas consequências. Ademais, cabe ao Poder Judiciário regular a influência da hiperconectividade na vida dos cidadãos e disponibilizar verbas para organizações que não visem à criação de um mercado de exploração baseado na pressão.