O desafio de se conviver em sociedade

Enviada em 20/05/2026

Na obra Revolução dos Bichos, de George Orwell, é dito que “somos todos iguais, mas alguns são mais iguais que outros”. Essa frase evidencia o surgimento de distinções sociais entre os bichos, assim como na realidade,as diferenças podem gerar diverças formas de violência, tanto direcionadas ao outro quanto internalizadas pelo próprio indivíduo. Dessa forma, para evitar o aumento da exclusão social e do individualismo, cabe questionar os mecanismos de manutenção adotados pelo sistema de produção.

A princípio, a violência é um método de defesa contra o que é considerado diferente. Para Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea, orientada pela lógica capitalista, tende a classificar como inúteis aqueles que não participam da dinâmica de produção. Essa lógica visa desumanizar e criar um ideal social que, quando não alcançado, resulta na segregação dos indivíduos considerados fora do padrão. Decerto, reforçada por práticas viotentas, como o preconceito, o modo de produção proporciona a marginalização e a exclusão, e deve ser questionado.

Ademais, como previsto por Byung-Chul Han em sua obra “Sociedade do Cansaço”. a violência deixa de ser apenas externa e passa a se manifestar de forma interna, por meio da autoexploração e da pressão por desempenho. Nesse contexto, devido a hiperconectividade da sociedade atual as mínimas diferenças em comparação aos outros causam perturbações na vida dos indivíduos, que cada vez mais se tornam individualistas, uma vez que socializar esta vinculado a alcançar um ideal criado pro um sistema que encherga como produto e como não individuo.

Destarte, cabe ao poder público, por meio do Ministério da Educação e da Cultura, criar programas de incentivo, como palestras, que visem desmistificar esse ideal social e conscientizar a população sobre a criminalidade da violência, seja ela direta ou indireta, bem como suas consequências. Ademais, cabe ao Poder Judiciário regular a influência da hiperconectividade na vida dos cidadãos e disponibilizar verbas para organizações que não visem à criação de um mercado de exploração baseado na pressão. Dessa forma, será possível estabelecer uma sociedade em que a diversidade não seja utilizada para criar posições de poder desiguais, como ocorre em “A Revolução dos Bichos.”