O desafio de se conviver em sociedade

Enviada em 04/09/2019

O “super-homem” idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, ao que tudo indica poucos parecem entender essa lição, haja vista os desafios de se conviver em sociedade. Com efeito, notam-se indivíduos cada vez mais individualistas e intolerantes frente ao convívio social.

Em primeiro plano, a falta de valorização ao outro é obstáculo para a convivência em sociedade. A esse respeito, o individualismo tem seu ápice no movimento filósofo iluminista, cujos ideais exaltavam o egocentrismo. Contudo, embora essa ideologia tenha sido fundamental para o Séculos das Luzes, o individualismo se mostra presente na contemporaneidade e inviabiliza o convívio social, já que fragiliza o senso de coletividade, aspecto necessário à construção do Estado Democrático de Direito, ou seja, a existência do respeito pelos direitos humanos e pelas garantias fundamentais. Assim, é incontrovertível que a falta de alteridade - ação de se colocar no lugar do outro - dificulta a capacidade de conviver em sociedade.

Por outro plano, a intolerância de muitos indivíduos ainda é um grande impasse para o convívio harmônico da população. Sob esse viés, o DNA humano é o mesmo em todas as células do corpo, mas se difere apenas em suas manifestações locais. De maneira análoga, o artigo cinco da Constituição Federal brasileira assegura que todos indivíduos se constituem iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, mesmo em uma República Federativa, o Brasil possui amarras que impedem a aceitação da diversidade. A exemplo de tal fato, é o caso de grande repercussão da menina de onze anos que foi apedrejada quando saia do terreiro de Candomblé, em 2015 no Rio de Janeiro. Portanto, negar a heterogeneidade da população se mostra como um desafio para o convívio em sociedade.

Mediante ao elencado, concluí-se que os desafios para a construção de uma sociedade harmônica possui raízes diversas e devem ser combatidas. Sendo assim, a escola de ensino fundamental, devido ao seu papel formador do indivíduo, compete, por meio de atividades lúdicas e aulas direcionadas, compete incentivar práticas benevolentes que estimulem a coletividade e a alteridade, a fim de mitigar posturas individualistas entre os alunos. Ademais, influentes digitais, a partir de seus discursos e visibilidade nas redes sociais, devem veicular conteúdos que repudiem ações intolerantes, bem como informar a existência da pluralidade no Brasil, com isso haveria a construção de uma sociedade solidária e respeitosa.