O desafio de se conviver em sociedade
Enviada em 28/08/2020
A Constituição Federal garante aos brasileiros a inviolabilidade dos direitos individuais. Todavia, na prática, é evidente a ausência desse princípio quando se observa as dificuldades de se conviver em sociedade no Brasil. Nesse contexto, não há dúvidas de que esse mal é um desafio social, o qual ocorre devido não só à falta de empatia, mas também, à precarização dos serviços públicos.
Vale destacar, de início, que uma das principais motivações para o difícil convívio social é a falta de empatia. Pois, segundo Carl Rogers -psicólogo estadunidense-, “Ter empatia significa ter sensibilidade para perceber o sentimento que uma pessoa esteja experimentando naquele momento”. Sob tal óptica, observa-se que a sociedade não atua de forma empática, já que há desprezo entre os seus indivíduos. Basta analisar-se a matéria do site G1, em 2020, a qual ressaltou que 70% dos que procuram o Sistema Único de Saúde (SUS) são atendidos com desamor e frieza, o que causa infelicidade a essas pessoas. Então, para melhor higidez, é crucial não haver instabilidade no relacionamento social, haja vista que todos possuem direito ao bem-estar coletivo.
Faz–se mister, ainda, salientar a precarização dos serviços públicos como um problema coletivo. Isso porque, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, em sua teoria da “solidariedade orgânica”, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que tal organismo seja coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, pois a população não usufrui de oportunidades de emprego, características do “Estado de Anomia” de Durkheim, pois impedem a harmonia geral. A julgar por, conforme dados da Universidade de Brasília, em 2020, 40% da nação vive infeliz em razão do alto desemprego, fatores que comprovam que o trabalho está diretamente ligado ao vínculo entre pessoas. Logo, é importante que o Poder Público crie alternativas para mudar o cenário atual.
Portanto, com o intuito de permitir mitigar as dificuldades do convívio social no Brasil, o Ministério da Saúde deve investir na capacitação de médicos, enfermeiros e técnicos, por intermédio de cursos de requalificação, com o propósito desses servidores contribuírem de forma mais solidária durante a recuperação de seus pacientes. Por outro lado, o Ministério da Economia precisa aplicar maior percentual do Produto Interno Bruto nas áreas de saúde e entretenimento, principalmente para as camadas mais desfavorecidas, com a disponibilização de oportunidades de emprego, além de promover as relações sociais. Assim, proporcionará sumo bem-estar e dignidade à população. Destarte, a sociedade desfrutará da igualdade de direitos garantidos conforme a Carta Magna.