O desafio de se conviver em sociedade

Enviada em 06/11/2020

Na canção “Alô, Alô, Marciano”, a intérprete brasileira Elis Regina desabafa: “… aqui quem fala é da Terra, pra variar, estamos em guerra, cada um por si…” Apesar de ter sido escrita há quarenta anos, a letra da música reflete bem a conjuntura contemporânea, uma vez que, embora seja um animal social, o ser humano enfrenta dificuldades no que se refere ao convívio harmônico para com os seus semelhantes. Nesse contexto, desafios devem ser superados para que se alcance uma sociedade integrada.

Em primeira análise, pode-se afirmar que o preconceito frente às diferenças, enraizado culturalmente no corpo social, é um dos fatores da problemática. De acordo como autor do clássico “Leviatã”, Thomas Hobbes, o homem é o lobo do próprio homem. A célebre oração metafórica do filósofo pode ser associada à intolerância das mais diversas vertentes existente na sociedade atual, a qual promove discursos de ódio e violência, tornando o ser humano uma ameaça à sua própria espécie. Dessa forma, essa dificuldade em lidar com a diversidade compromete gravemente a harmonia humana.

Em segunda análise, cabe ressaltar o individualismo e o egoísmo como agravantes do impasse. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade atual é marcada pela falta de empatia e pela defesa única e exclusivamente dos próprios interesses, sem buscar entender os propósitos alheios. Nessa perspectiva, tal pensamento comprova-se em diversos aspectos da vida social, desde ações cotidianas como a ocupação de vagas preferenciais em estacionamentos, até os grandes conflitos armados de origens politicas, religiosas, entre outras, em que a supervalorização do individual e a negação de ideologias diferentes prejudica a ordem social.

Portanto, conclui-se que o convívio harmônico na sociedade ainda enfrenta entraves quanto à sua plena concretização. Dessarte, a educação, essencial na formação do senso crítico e moral, detém papel fundamental na superação do preconceito e do sentimento de egoísmo presentes na coletividade. Por isso, é papel do Governo Federal desenvolver e inserir novos projetos nas escolas, que incluam debates, palestras e atividades dinâmicas que discutam a importância do respeito às diferenças, da empatia e da solidariedade, bem como os malefícios da ausência desses fatores na sociedade, por meio de maiores investimentos no campo educacional, com o objetivo de superar esses desafios e promover a integralidade e a harmonia social.