O desafio de se conviver em sociedade
Enviada em 14/08/2021
Tábulas rasas
Desde 1948 a Organização Mundial da Saúde (OMS) é responsável por assegurar o bem-estar da sociedade. Nesse sentido, ela também mostra-se útil na promoção da harmonia perante o convivio de diferentes grupos sociais, uma vez que, uma vida saudável relaciona-se com uma convivência social nutrida por boas relações. Afinal, o ato de conviver em grupo é uma necessidade biológica do Homo sapiens, mesmo que se apresente como uma tarefa desafiadora. Logo, buscar caminhos de apoio para lidar com tais desafios torna-se necessário.
Diante dessa cenário, a revista Science publicou, em 2019, em parceria com a OMS, um artigo acerca da importância da socialização no desenvolvimento do indivíduo como pessoa e parte do todo da sociedade. Segundo essa pesquisa, o Homem nutre e é nutrido pelo meio, ou seja, há uma troca de experiências, vivências e necessidades entre o ser humano e a sua comunidade. Dessa maneira, para que essa via de mão dupla seja saúdavel, é essencial que as partes envolvidas saibam lidar com os desafios das divergências, sejam elas ideológicas ou opinativas. Afinal, é a partir desse convívio entre grupos sociais distintos que um povo e uma cultura desenvolvem-se.
Entretanto, lidar com essas intempéres não é uma tarefa simplista. Uma vez que, segundo dados do Ministério da Saúde de 2018, apesar de existir no Homo sapiens uma necessidade biológica de socialização, a mesma sofreu alguns impactos com a Quarta Revolução Industrial, quando a tecnologia adentrou no dia-a-dia das pessoas. De acordo esse estudo, os aparatos tecnológicos foram, e ainda são, um dos responsáveis por potencializar atritos entre comunidades divergentes. Assim, com apenas um “click”, torna-se fácil alguém remover outrem do seu convívio social, ao invés de desafiar-se a conviver, em respeito, com as diferenças desse Ser.
Destarte, parafraseando o pai da medicina, Hipócrates, conviver em sociedade é uma dádiva, mas também um feito custoso. À luz dessa filosofia, estimular o povo brasileiro a aceitar o desafio que é lidar com as diferenças da convivência, faz-se necessário para que a nação progrida em seu âmbito social. Para isso, cabe ao Poder Legislativo e ao Governo Federal, criar e efetivar políticas públicas voltadas para a área da educação, que visem, por meio de programas educacionais nas escolas primárias e fundamentais, enraizar conceitos relevantes, como sororidade, equidade e respeito no subconsciente coletivo. Assim feito, os filhos da sociedade crescerão mais determinados a lidar com os desafios que o convívio social proporciona e, como “tábulas rasas”, serão escritos pela empatia.