O desafio de se conviver em sociedade

Enviada em 11/10/2021

No século XXI, o avanço da tecnologia e o crescimento populacional causam uma revolução na comunicação social. Essa é a tese defendida por Yuval Noah Harari, por exemplo, em seu livro “21 desafios para o século XXI”, segundo o qual as relações se tornam, cada vez mais, superficiais. Portanto, surgem novas problemáticas que a humanidade precisa enfrentar, entre elas, a liquidez dos relacionamentos e a perda do senso de comunidade.

Primordialmente, cabe mencionar a obra do filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, que desenvolve o conceito de “modernidade líquida”. Segundo o autor, a pós-modernidade cria um padrão de relacionamentos que valoriza muito mais a exposição de si mesmo, que a profundidade dos laços. Isto é, para a sociedade atual, vale mais mostrar aos outros que é próximo de alguém, que concretamente aproximar-se. Dessa maneira, calha apresentar o que aponta Slavoj Zizek, psicanalista. Conforme sua lógica, ao serem confrontados com o desafio de aprofundar as relações sociais, os indivíduos mergulham, frequentemente, em problemas que afetam sua autoestima e sua saúde mental. Portanto, põe-se que uma das questões que a convivência mútua levanta, atualmente, é a dificuldade de gerar intimidade, e as crises psicológicas que isso traz.

Adicionalmente, convém citar o sociólogo Friedrich Engels, co-escritor do “Manifesto do Partido Comunista”. Consoante Engels, com o avanço do capitalismo e, consequentemente, da urbanização, criam-se grupos cada vez maiores e mais próximos, fisicamente, que convivem nas cidades. Entretanto, ao mesmo tempo que a distância geográfica entre eles se encurta, os constituintes dessas comunidades passam a conhecer-se cada vez menos. Em outras palavras, desconhecem detalhes da vida um do outro e, inevitavelmente, o senso de coletividade é dissipado. Um dos efeitos desse fenômeno é a hiper-individualização, pela qual os homens importam-se mais consigo mesmos, do que com o bem-estar geral. Logo, esse é outro desafio da convivência em sociedade.

Em conclusão, tem-se que as instituições de ensino básico devem influenciar o aprofundamento das relações entre as crianças. Isso pode ser feito por meio da realização de exercícios que demandem conhecimento da realidade do outro, como questionários sobre gostos e fatos da vida alheia, e gincanas. Dessa maneira, já na infância será estimulado interesse em formar relações sólidas. Complementarmente, as Prefeituras do país precisam fomentar o senso de comunidade. Isso pode ser efetivado por intermédio da execução de eventos culturais em bairros e arrecadações de recursos para os necessitados, a fim de que os habitantes da cidade sintam-se pertencentes a algo, e reconheçam suas responsabilidades uns para com os outros.