O desafio de se conviver em sociedade

Enviada em 17/10/2021

Rousseau falava em sua teoria que o estado de natureza era belo, as relações eram harmoniosas e a vida em sociedade veio para acabar com essa tranquilidade, trazendo o caos, a instabilidade e a guerra. Por outro lado Thomas Hobbes dizia que no estado de natureza o homem é lobo do homem e precisou que houvesse um contrato social para não ocorrer a guerra de todos contra todos. Ou seja, independente da forma que é vista ou por quem é analisada conviver em sociedade é um desafio e esse apresenta diversas instabilidades, seja por que lidar com o outro é difícil, seja por que seria impossível viver sozinho.

Primeiramente, o mundo é composto por diversas pluralidades em todas as suas áreas. Destarte, é impossível haver uma linha de pensamento homogêneo, pois as pessoas diferem em gostos musicais, alimentícios, amorosos e financeiros, por exemplo. Logo, se for comparado dois irmãos gêmeos, possivelmente haverá divergência em alguns assuntos entre eles, existindo heterogeneidade. Dessa forma, entende-se o porquê a convivência em sociedade torna-se tão difícil, pois aceitar as particularidades do outro e saber lidar com elas, para muitos é um desafio, considerando que os cidadãos são educados desde pequenos a venerar apenas o pensamento deles como o correto. Deste jeito, tudo que foge da “normalidade” individual aparenta estranheza e pode vir a ser um alvo de conflitos entre esses habitantes.

Mas, embora existam esses conflitos, conviver em sociedade é uma regra à sobrevivência. Isto é, ninguém conseguiria sobreviver sozinho. Exemplificando, se um cidadão conseguisse se isolar de todos com a quantia suficiente de alimentos e água para o resto da sua vida, esse começaria a sentir falta da companhia dos demais. Desta maneira, a população só conseguiu atingir esse nível de evolução graças as relações sociais, pois um habitante não daria conta de fazer tudo sozinho, considerando que as pessoas precisam umas das outras o tempo todo, por mais que muitos tentam justificar o contrário. Ainda que a teoria sobre a banalidade do mal, da filosofa Hannah Arandt, diz que o comportamento humano é enraizado e torna-se frequente a medida em que se reproduz, essa em momento nenhum fala da reprodução da mesma conduta, o que demostra que a sociedade sempre foi plural.

Por fim, conviver em sociedade, por mais difícil que seja, é essencial. Assim, é importante que as escolas criem um projeto de sociabilidade, com a interação dos alunos com a comunidade, aprendendo sobre as diferenças e os comportamentos dos outros e criando mecanismos efetivos de respeito à diversidade. Deste modo, os cidadãos entenderiam a importância da pluralidade passariam conviver em sociedade de forma harmônica e natural.