O desafio de se conviver em sociedade
Enviada em 15/11/2021
A Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988, através de seu artigo 6, confere inúmeros direitos sociais aos brasileiros. No entanto, quando observado o desafio de se viver em sociedade, é possível perceber a existência de cotidianos muito divergentes, que comprometem esse convívio, visto que as garantias asseguradas na mesma Constituição, não possuem um caráter pragmático, devido à negligência governamental e à falta de consciência social, criando um cenário de desigualdade que precisa ser minorado.
Em primeira análise, a negligência governamental é um obstáculo para a solução do problema. Sobre isso, Aristóteles diz, em seu livro “Ética à Nicômaco”, que a política existe para garantir a felicidade dos cidadãos. Nesse contexto, é fácil perceber que essa suposição de Aristóteles não se consuma, uma vez que o Poder Público não cumpre devidamente o seu papel, na execução das garantias constitucionais, sendo permissivo com a existência de carências em várias esferas da vida de uma grande parcela populacional, que resulta em miséria, podendo gerar violência e que reverbera num distanciamento social que apresenta prejuízos físicos, emocionais e psicológicos para todos os indivíduos.
Além disso, a falta de consciência social é causa secundária do problema. Segundo Bauman, filósofo e sociólogo polonês, as relações sociais são colonizadas pela lógica de mercado. Seguindo este raciocínio, pode-se perceber que os ideais sociais, na hodiernidade, possuem a capacidade de se apresentar como motivos de segregação, através da aplicação de um comportamento sociocultural que prioriza os interesses individuais acima do coletivo, dificultando o bom funcionamento do corpo social que, uma vez dividido, não tem a oportunidade de desenvolver todo o seu potencial.
Portanto, o Governo Federal deve, por meio de seu Legislativo, criar emendas constitucionais efetivas, com o intuito de debelar as falhas existentes na Constituição. Tais emendas devem contribuir para que as garantias existentes na mesma resultem no aparecimento de uma cidadania plena, minimizando a desigualdade social que afeta as relações e o convivio em sociedade. Em paralelo, o Poder Público deve criar campanhas publicitárias efetivas, cuja finalidade seja a conscientização dos indivíduos acerca de seus deveres e direitos, com ênfase no respeito e na colaboração para a construção de uma sociedade igualitária, numa dialética entre a existência das habilidades e das oportunidades que são concedidas aos menos abastados, no sentido de minimizar a distância entre as realidades distintas que alimentam o tema. Deste modo, será possível contemplar os preceitos da Carta Magna, mais próximos da realidade.