O desafio de se conviver em sociedade
Enviada em 15/06/2022
O filósofo grego Aristóteles, em sua obra “Ética a Nicômano”, preconiza que o homem é um ser político e está em sua natureza o viver em sociedade. No entanto, a vida em comunidade nem sempre é fácil, pois o seu bom funcionamento depende de uma eficiente gestão de conflitos entre as pessoas. Nesse contexto, é importante ressaltar a falta de empatia e a ambição.
Primeiramente, é necessário ter empatia para uma boa convivência em sociedade. Nesse viés, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman argumenta que a preocupação com a administração da vida parece distanciar o ser humano da reflexão moral. A partir desse pensamento, infere-se que os problemas do cotidiano podem levar as pessoas ao egoísmo e a não se colocarem no lugar das outras. Sob essa ótica, a vida comunitária pode se tornar mais individualista e menos coletiva, o que gera infelicidade, tendo em vista que a partilha social é fundamental para a espécie humana. Portanto, a empatia é condição básica para uma boa convivência em sociedade.
Ademais, há que se colocar em pauta o problema da ambição humana sem limites. Segundo o cientista político americano Robert Putnam, em seu conceito de “capital social”, os laços sociais se afrouxaram, ou seja, o individual se sobrepõe ao coletivo. Nesse sentido, o ser humano está cada vez mais pensando individualmente, não se importando com a coletividade e colocando seus interesses acima de todos. Em razão disso, a ambição de conquistar bens materiais têm feito as pessoas agirem como se vivessem sozinhas no mundo, sem se preocuparem com as outras, corroborando a tese de Putnam.
Logo, é imprescindível a tomada de soluções. Assim, cumpre ao governo, órgão responsável pelo bem-estar social, intervir legitimamente, por meio de projetos, como a veiculação de campanhas de conscientização, com o fito de formar cidadãos conscientes da importância da empatia nas relações sociais. Concomitantemente, cabe às escolas educarem os alunos acerca do mal que a ambição desmedida pode causar à sociedade, a fim de criar jovens conscientes de seu papel social.