O desafio de se conviver em sociedade
Enviada em 03/11/2023
A experiência da convivência social existe desde os primórdios do desenvolvi-mento humano. Entretanto, as disputas de poder político, econômico e ideológico, intrísecas a vida em sociedade, dificultam a coexistência de indivíduos que pensam e agem diferentemente entre si. Assim, os caminhos para um convívio coletivo har-mônico estão no exercício da alteridade e da humildade.
Dessa maneira, em primeira análise, a prática da intolerância é a principal causa de desarmonias nas relações sociais. Nesse viés, Edward Said - expoente ativista palestino -, em seu livro Orientalismo, ensaiou sobre as complexas formas de do-minação e opressão que um olhar preconceituoso sobre os povos orientais exer-cem nas dinâmicas interpessoais. Essencialmente, é essa postura descriminatória que impera no abismo atual da convivência social, sobretudo no que se refere às práticas neofascistas que os estudantes negros e indígenas têm sido vítimas nas universidades, vide casos em São Paulo e Santa Catarina, bem como os crimes baseados em fundamentalismo religioso, tal qual destruição de terreiros por evangélicos. Destarte, enquanto não houver disposição para exercer a tolerância, a coletividade será sempre um entrave.
Ademais, a falta de modéstia intensifica os conflitos, uma vez que impede a es-pontaneidade nas relações. Sobre essa perspectiva, Francisco de Assis - santo da igreja católica - pregava que a simplicidade é o caminho para a harmonia e para a paz entre os humanos. Todavia, hodiernamente a retórica não é verdadeira, em es-pecial quando analisada da perspectiva capitalista e individualista do convívio entre as pessoas, haja vista a volaticidade, superficialidade e padronização das relações, como conceituado pelo sociólogo Bauman.
Portanto, urge a necessidade de melhorar a convivência social. Para isso, o Esta-do deve investir em políticas públicas que estimulem a consciência da importância da alteridade. Essa iniciativa se dará por meio de campanhas publicitárias em esco-las, serviços de saúde, universidades e locais públicos sobre como a diversidade é a riqueza cultural da Nação, a fim de estimular a prática da tolerância e do respeito nos indivíduos. Sendo assim, a sociedade irá estar preparada para combater a into-lerância, caso ela apareça, e será um coletivo harmonioso e pacífico.