O descrédito dado aos benefícios gerados pelas artes cênicas no Brasil

Enviada em 08/03/2025

A obra cinematográfica “o rei do show” retrata um dono de circo que dedica todo o seu tempo e dinheiro para fazer desta arte cênica algo marcante em sua cidade. Entretanto, diferentemente do final positivo do filme, muitos artistas nacionais esbarram em descrédito e desvalorização constantemente. Diante disso, convém analisar as causas que levam a tal problema: o desconhecimento dos benefícios das artes cênicas e a omissão estatal.

Em primeira análise, pode-se apontar o desconhecimento dos benefícios socioculturais gerados pela manifestação artística como uma das principais causas. Nesse contexto, o dramaturgo inglês, Bernard Shaw, afirmou “os espelhos são usados para ver o rosto; a arte para ver a alma”. Sob tal perspectiva, com o avanço da indústria do entretenimento muitas pessoas deixaram o mundo artístico de lado, como algo obsoleto e ultrapassado, desconsiderando que além de entreter as artes cênicas também educam, criticam e levam cultura à população. Desta maneira, à medida que a arte é vista apenas como passatempo, tal manifestação cultural tornara-se cada vez mais obsoleta, sem ter seus benefícios usufruídos.

Em segunda análise, o Estado omisso pode ser um dos principais responsáveis pela falta de verbas no setor artístico e o descrédito percebido no presente. Neste cenário, Herbert de Sousa, ativista dos direitos humanos brasileiro, destaca que “um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência, muda sim pela sua cultura”. Contudo, para que tal mudança ocorra é essencial a participação ativa do Estado principalmente financiando a cultura, algo que não é visto com a frequência desejada. Neste sentido, enquanto a falta de financiamento for a regra, um país culturalmente rico será apenas ficção.

Portanto, é essencial que o Governo Federal crie uma agenda econômica que fortaleça a cultura nacional, destinando recursos ao Ministério da Cultura, a fim de que mais leis de incentivo à arte sejam criadas. Paralelamente, tal ação pode conter o desenvolvimento de projetos sociais que reaproximam a população das obras teatrais nacionais, reeducando culturalmente o povo. Só assim o fim positivo visto na obra ficcional poderá ser replicado nacionalmente.