O descrédito dado aos benefícios gerados pelas artes cênicas no Brasil
Enviada em 22/03/2025
O filósofo Thomas More, em sua obra “Utopia”, apresenta uma sociedade perfeita, a qual é caracterizada pela ausência de mazelas sociais. No entanto, ao se analisar a situação nacional, vê-se uma oposição ao texto sobredito, já que os benefícios das artes cênicas ainda são descréditados no Brasil. Nesse sentido, tem-se a lacuna governamental e a exclusão social como causas do impasse.
Diante desse cenário, a falta de incentivo governamental é um dos principais agra-vadores do descrédito dos teatros. Sob tal ótica, segundo o filósofo Friedrich Hegel, o Estado tem o dever de garantir cultura de qualidade para todos os cidadãos. En-tretanto, ao se analisar a conjuntura atual, vê-se uma oposição entre a teoria filosó-fica e a prática nacional, visto que o governo não investe nas artes cênicas popula-res, o que acarreta no seu sucateamento e restando apenas os teatros mais elitiza-dos. Assim, diminui a participação marjoritaria da população de classe baixa nesses espaços, devido à questão socioeconômica, o que faz com que essa parcela não tenha os benefícios do teatro como, por exemplo, lazer, cultura e educação.
Ademais, o sentimento de não pertencimento nos teatros elitizados faz com que a população crie uma aversão a esse tipo de arte. Sob esse viés, segundo a teoria dos filósofos Adorno e Horkheimer - escola de Frankfurt - a cultura das massas foi transformada em uma indústria, que visa a maior arrecadação possível, o que transforma os poucos espaços dedicados às artes cênicas extremamente elitizado. Dessa forma, cria-se uma mentalidade de nacional em que os teatros não são “lugar de pobre”. Com isso, os espaços teatrais, que deveriam ser um lugar de coesão social e educacional, tornam-se um lugar de segregação entre a população brasileira.