O desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI

Enviada em 23/10/2019

Realidade distante

Um dos legados mais importantes deixado pelo Iluminismo – movimento revolucionário do século XVIII – foi a necessidade de assegurar aos indivíduos seguranças sociais, em meio aos avanços técnicos. No entanto, o moderno contexto brasileiro, marcado pela ineficácia de agentes sociais na promoção de empregos, demonstra a fragilidade do país na valorização de ideias seculares. Com efeito, o combate à problemática pressupõe o apreço a valores essenciais em uma democracia, a saber, o bem estar social coletivo.

A princípio, é fundamental ressaltar a globalização como uma influencia para o desemprego no Brasil. Sobre isso, o geógrafo Milton Santos entende como ‘’Desemprego Estrutural’’ a grande capacidade de indústrias e ramos de serviços em substituir a mão de obra cidadã por máquinas. Em via disso, grande parte de indivíduos tendem ao demissão, a medida que parcela dessa exclusão moderna, no país, é acompanhada pela ineficácia de políticas de inclusão em outras áreas. Dessa forma, não é razoável a adoção de condutas que minimizem esse conflito em escala nacional.

Ademais, o contexto de desemprego brasileiro demonstra, ainda, a negligência de organismos governamentais no combate a essa mazela. Na prática, isso é evidenciado por pesquisas feitas pelo ‘’Jornal Nexo’, nas quais expõem o gradual afastamento de agentes estatais de causas sociais e a preferência a medidas sem fins filantrópicos. Desse modo, a marginalização de diversos trabalhadores contribui para a construção de uma sociedade firmada por mazelas, visto que, na modernidade, até mesmo o acesso a insumos básicos, como alimento e transporte, requer engajamento econômico. Assim, torna-se claro que enquanto a omissão do Poder Público for regra, o país tenderá a conviver com um entrave social pertinente: a crise do desemprego.

Depreende-se, portanto, crucial a adoção de medidas que combatam, com eficácia, a instabilidade no setor laboral brasileiro. Logo, cabe ao Ministério Público ampliar seus ramos logísticos, a partir da criação e preservação de uma secretaria responsável pela capacitação dos diversos indivíduos postos aos desemprego, a fim de incluí-los nas novas atividades de trabalho moderno e não causar exclusão desses membros. Além disso, compete à postura ativa da sociedade civil acompanhar o desenvolvimento dessas medidas e, caso haja irregularidades, cobrar das secretarias o pleno funcionamento das ações, a fim de promover uma sociedade mais participativa e transparente. Por consequência, seria construída uma sociedade na qual os legados do século das luzes deixariam de ser uma realidade distante.