O desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI
Enviada em 29/05/2020
Na obra Quarto de Despejo, escrita por Carolina de Jesus,é retratado o cotidiano da autora,desempregada e mãe solteira,que precisa sustentar sua família e se vê obrigada a catar lixo todos os dias,ainda que chovesse.Na realidade do Brasil,durante o século XXI há também a questão do aumento do desemprego e das relações desiguais de trabalho.Isso porque existe uma estrutura excludente de determinados serviços e também uma flexibilização nos contratos laboris,tal panorama exige estratégias de reversão.
Em primeiro plano,é indubitável que a contemporaniedade tem como forma produtiva o meio técnico-científico-informacional,como ilustrado pelo geógrafo Milton Santos,no qual existem máquinas e equipamentos modernos.Nesse sentido,algumas profissões ,como a de reposição de bobinas ou telefonista,não fornecem utilidade alta para os empregadores,já que eles possuem um sistema automatizado.Sob essa óptica,muitos canarinhos não são aptos no aspecto tecnológico,como prova o estudo do IBGE,realizado em 2018,no qual quase metade dos entrevistados não utilizavam o computador.Sendo assim,há um aumento contínuo do desemprego estrutural previsto,caso nenhuma capacitação seja ofertada à população.
Outrossim,após a Reforma Trabalhista,ocorrida em 2017,é notório o avanço do emprego informal.Uma vez que a menor regulamentação nesse projeto ofereceu a possibilidade do empregador alterar jornadas de trabalho, salário e outros quesitos que o satisfaça e não sejam necessariamente bons ao contratado.Consoante a isso,o sociólogo Karl Marx elucida a existência de um Exército Industrial de Reserva que se trata de pessoas marginalizadas,de baixa renda,que se destinam a subempregos,como muitos brasílicos,pela necessidade e pouca instrução.Então,a flexibilização das leis laboris pode prejudicar o empregado sem que ele perceba isso e aumentar a quantia de serviços mau remunerados e degradantes.
Depreende-se,portanto,a urgência de mitigar o desemprego conjuntural e de ajustar as relações trabalhistas.Para isso,cabe ao Ministério da Educação formular o ensino de informática voltado para o trabalho aos jovens e adultos,por meio de cursos gratuitos, como os preparatórios do ENCEJA,a fim de tornar mais brasileiros aptos ao trabalho moderno.Ademais,é dever da Secretaria do Trabalho fornecer a análise de contratos empregatícios,por meio da realização e divulgação de sessões gratuitas de atendimento individual à população,nas quais cada pessoa receba exclarecimentos sobre a legalidade e restrições da oferta de emprego que recebeu.Assim,pressupõem-se que menos indivíduos no Brasil realizem serviços ou passem por situações degradantes como as de Carolina de Jesus.