O desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI
Enviada em 05/08/2020
Pátria desempregada, Brasil
Na mitologia grega, as Danaides foram irmãs condenadas por Hades à encher um poço por completo. No entanto, seu fundo era vazado e, por isso, as irmãs nunca conseguiram enchê-lo completamente independentemente do quanto de água colocassem, ficando presas em seu castigo eternamente. Atualmente, esse mito se assemelha à questão do desemprego no Brasil, que persiste como um problema crescente, sendo ocasionado por falhas governamentais não só na economia, mas em diversos setores sociais.
Em primeiro lugar, as medidas para acabar com o desemprego mostram-se extremamente ineficazes e de administração incompetente. Em 2017 foi realizada a reforma trabalhista que prometia combater a crise econômica e o desemprego com o “brilhante” conceito de que cortes dos direitos dos empregados produziriam mais empregos, o que retrata um total descaso com a classe proletária; consequentemente, -e como esperado- não houve o resultado desejado. A geração de empregos depende apenas do crescimento econômico do país, que quando positivo, acarretará maior necessidade de mão de obra, autônoma das leis do trabalho. Portanto, acreditar que a legislação trabalhista é responsável pelo desemprego no Brasil é como aceitar a cegueira de José Saramago.
Em segundo lugar, com as modernizações das formas de produção e da realidade do mercado, as exigências para melhores qualificações são cada vez maiores. Em contrapartida, nem todos têm as mesmas oportunidades para atender a elas, uma vez que a desigualdade social no Brasil é inegável e questões como nível de escolaridade, disponibilidade de tempo e até mesmo dinheiro, que geralmente são exigidas em empresas, variam muito entre a população e, por isso, torna-se cada vez mais difícil atender aos padrões do mercado de trabalho, e assim, aqueles mais necessitam do emprego na maioria das vezes acabam sendo os menos qualificados.
Por fim, cabe ao governo auxiliado dos Ministérios do Trabalho e da Economia buscar novas medidas em combate ao desemprego que incluam diminuição de impostos sobre contratações comerciais e investimentos tanto em setores públicos quanto privados, incentivando assim o desenvolvimento da economia. Além disso, ações governamentais com a participação do Ministério da Educação como a concessão de bolsas estudantis não só em escolas mas também em cursos profissionalizantes juntamente com um auxílio econômico, que poderá ser devolvido de forma justa se o trabalhador conseguir um bom emprego a partir desse projeto governamental, são imprenscindíveis para tornar as oportunidades mais acessíveis e igualitárias.