O desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI
Enviada em 07/04/2021
Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defende a importância do conhecimento para obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a cultura e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Contemporaneamente, ao contrário do que filósofo defende, a insuficiência educacional rege o desemprego e as relações trabalhistas no século XXI. Em decorrência disso, cria-se um problema de contornos específicos em virtude da falta de capacitação, evidenciada pelo avanço tecnológico, e a desigualdade nas oportunidades de emprego.
Em primeiro plano, é preciso atentar à lacuna educacional presente na questão. Em consonância com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é como um organismo do ser humano, onde os órgãos tem uma harmonia biológica para o seu funcionamento; caso uma parte desse sistema falhe, ocorre uma doença. Na realidade atual, o desemprego entra como fato social que está rompendo com a harmonia de todo o funcionamento da sociedade, tendo em vista que a falta de investimentos educacionais em capacitação impedem a fluidez desse mecanismo.
Ademais, de acordo com o geógrafo Milton Santos, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. Todavia, no contexto das relações trabalhistas, não há essa efetividade democrática, pois a falta de uma legislação eficiente impera na desigualdade das oportunidades de emprego, levando em consideração que a legislação atual dificulta os processos de admissão. Por isso, fica claro que o emprego e as relações de trabalho não são recursos democraticamente plenos no Brasil.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com intuito de se coibir o problema discorrido. É papel do Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Economia investir na democratização da formação de profissionais, por meio do oferecimento de cursos técnicos que encaminhem mais facilmente o indivíduo ao mercado de trabalho, visando alcançar maior formalização de empregos e maior equilíbrio nas oportunidades. Desse modo, será possível permitir o alcance da plenitude da essência humana valorizada por Aristóteles.