O desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI

Enviada em 11/11/2021

Na obra cinematográfica “Parasita”, disponibilizada pela Netflix, é retratada a vida da família Kim e a sua dificuldade na aquisição de emprego. De maneira análoga, a realidade brasileira se assemelha à ficção coreana, uma vez que, diversos brasileiros enfrentam o panorama desgastante das relações trabalhistas e do desemprego no país. Nesse contexto, fatores como a falta de qualificação e a subcidadania solidificam tal mazela.

Diante do exposto, é fulcral pontuar no que tange à relação do toyotismo com a diminuição da oferta de trabalho no corpo social. Nessa perspectiva, a partir da década de 1970, esse modelo surgiu e teve como principal característica a flexibilização da produção e a qualificação dos trabalhadores, partindo do princípio da não acumulação de mercadoria e do papel multifuncional dos operários. Sob tal ótica, esse processo foi um importante catalisador para o desemprego hodierno, pois, diversos cargos exigem do indivíduo um preparo profissional especializado, que parcela substancial da população não possui, seja pela baixa escolaridade, seja pela ausência de cursos capacitadores. Desse modo, é necessária a criação de oportunidades para a qualificação social.

Além disso, cabe comentar acerca da subcidadania como consequência da problemática. Nesse viés, cita-se a Primeira Revolução Industrial, em que operários—entre eles crianças— eram submetidos a longas jornadas de trabalho, em condições insalubres e remuneração degradante. Assim, na contemporaneidade, a falta de vagas de trabalho também induz parte do imaginário coletivo a aceitar ofícios que ferem a dignidade humana, contexto semelhante à Revolução citada. É evidente que, o desemprego impossibilita a qualidade de vida e promove a subcidadania, panorama intolerável em pleno século XXI.

Portanto, medidas que solucionem o desemprego no cenário trabalhista brasileiro devem ser implementadas. Logo, o Ministério do Trabalho deve difundir ferramentas que auxiliem na qualificação do cidadão, por meio de cursos profissionalizantes, como inglês e informática, além de aulas regulares, em que professores ajudarão no processo educacional dos indivíduos. Espera-se, com essas medidas, que os envolvidos consigam empregos dignos. Ademais, importa que o Ministério da Justiça fiscalize os ambientes trabalhistas, a fim de extinguir qualquer ofício executado em subcidadania. Por certo, a realidade empregatícia diferenciar-se-á da ficção vivida pela família Kim.