O desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI
Enviada em 25/11/2022
“Vidas Secas” narra a história de Fabiano, um retirante nordestino que anda a procura de emprego para poder sustentar sua família. De maneira análoga, fora da ficção, o problema do desemprego é uma questão do século XXI que aflige milhares de brasileiros. Nesse sentido, é imprescindível destacar como tal empecilho é ocasionado pela desigualdade social no acesso à preparação para conseguir trabalho e pela condição perversa intrínseca à estrutura do sistema capitalista.
Convém ressaltar, primeiramente, que o acesso à informação é desigual, o que ocasiona uma dificuldade para se preparar para conseguir trabalho. Nessa perspectiva, de acordo com Boaventura de Sousa, a globalização se dá de forma desigual, isso é, a intensificação do fluxo de informações e aprendizados não é igualitário para todas as pessoas. Com isso, os indivíduos com menor instrução encontram dificuldades para atender às exigências do mercado, seja pela falta de oportunidade de estudo, seja pela dificuldade em se adaptar às novas tecnologias. Dessa forma, a população com menor possibilidade de acesso à informação não consegue se adaptar às necessidades impostas para se conseguir trabalho.
Semelhantemente, a estrutura do sistema capitalista também é baseada na manutenção da existência de desemprego. Nesse viés, Karl Marx, sociológo alemão, afirma que o capitalismo necessita de uma população desempregada, pois, caso alguma pessoa se revolte com a situação degradante da exploração capitalista, é possível contratar outro no lugar dele, visto que ela preferirá trabalhar do que não possuir trabalho. Tais indivíduos desempregados são chamados de “Exército de Reserva”, sendo importantes para que a lógica capitalista não seja rompida por conta de manifestações de empregados revoltados. Dessa maneira, a condição capitalista, em sua essência, permite a continuidade do desemprego.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas com o intuito de combater o desemprego no Brasil. Assim, é preciso que o Ministério da Economia invista em progamas que visem preparar os jovens e adolescentes para o mercado de trabalho, por meio de palestras ministradas por especialistas nas escolas, a fim de oferecer condições mais igualitárias para o acesso à informação. Ademais, tal ação pode ainda conscientizar a população acerca da estrutura do sistema capitalista.