O desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI
Enviada em 30/03/2024
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor Thomas More - retrata uma civilização idealizada, na qual a engrenagem social é desprovida de conflitos. No entanto, tal obra fictícia se mostra distante da realidade contemporânea no tocante ao problema do desemprego e as relações trabalhistas no Brasil, que coloca em questão o bem-estar social. Nesse sentido, há de se combater não só a negligência governamental, mas também a desqualificação profissional.
Prioriamente, é importante pontuar a indiferença estatal como fomentadora do revés. Nessa perspectiva, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia que é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda a coletividade. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura observada, uma vez que as autoridades governamentais não investem, de forma eficaz, em setores estratégicos, como áreas de prestação de serviços e indústrias. Desse modo, enquanto a falta de investimento for a regra, o aumento de vínculos empregatícios continuará como exceção.
Outrossim, a falta de mão de obra especializada é outro complexo dificultador. A esse respeito, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, Paulo Freire defende que a escola deve ter íntima relação com a realidade dos alunos e não ficar restrita ao universo teórico - problema conhecido como academicismo. Todavia, as instituições de ensino vão contra tal máxima, na medida em que os indivíduos não são preparados eficientemente para o mercado de trabalho. Assim, a falta de cursos técnicos no currículo compromete a contratação.
Urge, portanto, que medidas sejam efetuadas, a fim de resolver o imbróglio. Para tanto, é papel do Governo Federal promover maiores investimentos nos setores industriais, mediante redirecionamento de verbas da União, a fim de construir mais indústrias e empresas prestadores de serviço, com o propósito de aumentar o número de empregos. Ademais, é papel do Ministério da Educação veicular cursos profissionalizantes às escolas, a partir de parcerias com as instituições, com o intuito de qualificar a futura mão de obra.