O desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI

Enviada em 01/11/2024

Zygmunt Bauman defende que “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. No entanto, não é possível verificar uma reação interventiva no desemprego e as relações trabalhistas em debate no século XXI, em que, grande parte das vezes, diversas pessoas trabalham sem os direitos laborais ou até mesmos desempregadas, por não conseguirem uma oportunidade de emprego lícita. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um complexo problema, que se enraíza na ineficiência governamental e no silenciamento social.

Nesse cenário, primeiramente, a omissão estatal mostra-se um complexo dificultador.Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto à inatividade e as ligações profissionais, visto que é dever do governo gerar empregos e investimentos financeiros, para que pessoas mais vulneráveis financeiramente tenham novas oportunidades de trabalho. Assim, para que tal bem-estar seja usufruído, o Estado precisa sair da inércia em que se encontra.

Além disso, outro fator influenciador é a omissão social.Sob esse viés, Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Entretanto, há um silenciamento instaurado na questão da desocupação e dos meios trabalhistas, visto que não é pautado sobre o desemprego nas redes sociais e nos meios de comunicação, como os jornais, fazendo com que a população mais suscetível - a mais pobre - seja a mais propícia a conseguir empregos ilícitos, por não terem qualificação profissional. Assim, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.

Portanto, é urgente intervir nesse problema. Para isso, o governo federal deve criar uma agenda específica para o tema, por meio da organização de fundos e projetos, a fim de reverter a inércia estatal que afeta o desemprego e as relações profissionais. Tal ação pode, ainda, conter consultas públicas para entender as reais necessidades da população. Paralelamente, é preciso intervir sobre o silenciamento social presente no problema. Logo, será possível lidar da melhor maneira com essa crise, como defendeu Bauman.