O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 26/10/2026

Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, as propostas do protagonista para o desenvolvimento do Brasil são ignoradas pelo governo e pela sociedade. De modo semelhante, essa realidade se repete no que tange o desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade, impasse que evidencia a persistência de problemas que comprometem o bem-estar coletivo. Nesse contexto, esse cenário decorre do descaso governamental e da negligência social.

Diante desse panorama, é relevante destacar a insuficiência da ação estatal. Segundo a “Teoria Econômica da Democracia”, de Anthony Downs, os governantes priorizam decisões que gerem votos em curto prazo, negligenciando o bem comum. Essa lógica se aplica ao consumismo, visto que medidas como campanhas de conscientização demandam verbas contínuas e trazem retornos lentos, o que leva ao seu adiamento. Como consequência, o consumo exacerbado colabora para o aumento do desiquilíbrio sustentável, evidenciando a negligência do poder público.

Ademais, a omissão social contribui para a permanência do consumo desenfreado. Nesse sentido, o sociólogo Stanley Cohen desenvolveu o conceito de “negação implicatória”, relacionado à negação das implicações morais de determinados problemas. Sob essa lógica, percebe-se que compras impulsivas são frequentemente minimizadas pela sociedade, além disso a maior parte dos meios de comunicação normalizam e incentivam o consumo, o que muita das vezes faz com que as pessoas se individem apenas pelo prazer momentâneo de comprar. Dessa forma, essa postura dificulta o enfrentamento da questão.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do amplo apoio dos poderes estaduais e municipais, promova a realização de palestras e campanhas publicitárias que ressaltem a importância de comprar apenas o necessário, a fim de conter o consumismo. Além disso, a mídia deve promover a conscientização social, a fim de desconstruir a naturalização do problema. Assim, será possível superar o cenário apresentado e evitar que os projetos de Policarpo Quaresma continuem sendo ignorados.