O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 05/09/2019
O consumismo nasceu com a Revolução Industrial, visto que por meio desta tornou-se possível o aumento da produtividade com a consequente queda do valor unitário das mercadorias, que resultou na acessibilidade destas a uma classe maior de pessoas. Conclui-se que o consumo desenfreado presente no século XXI não é um evento aleatório e nem uma ocorrência isolada, similarmente observada no Brasil; na verdade, tornou-se um mal enraizado que possui como principal obstáculo a sustentabilidade, o que gera um desequilíbrio entre ambos, pois os produtos são programados para não durarem e por consequência resulta em um crescimento exponencial de resíduos sólidos.
Primeiramente, é importante entender o que é a obsolescência programada. Tal tática é observada quando um produto torna-se inutilizável em um curto período de tempo de forma proposital, isto é feito justamente para que a mercadoria seja descartada e o consumidor compre outra nova. Um exemplo disso foi registrado em 1924, no qual as lâmpadas que duravam cerca de 2500 horas foram arquitetadas para durarem apenas 1000. Ou seja, bens duráveis são desfavoráveis à economia, e o foco do capitalismo está no giro desta, logo, o dano ambiental causado por tanto descarte fica em segundo plano.
Inquestionavelmente, tantos produtos programados para não durarem tornam-se descartáveis em pouco tempo, o que resulta em um grande acúmulo de resíduos sólidos. Caso haja o descarte incorreto, pode haver contaminação no solo, ar e água, além do entupimento de redes de drenagem urbana, entre outros problemas. Esse grande amontoado, mesmo quando é feito o procedimento adequado - caso dos aterros sanitários -, se houver muito descarte a quantidade de depósitos para tanto detrito deve aumentar proporcionalmente, mas se continuar da forma que está, em um futuro próximo pode não existir mais espaço para tal finalidade.
Portanto, é indiscutível que o Poder Legislativo crie uma lei que multe as empresas que programam seus produtos com vida útil curta, para que os consumidores não desfaçam-se de mercadorias com tão pouco tempo de uso; tal atitude deve ser tomada em parceria com o Poder Judiciário, a fim de que este último responsabilize-se em aumentar a fiscalização, assim, as mercadorias adulteradas evitam chegar ao mercado. Ademais, o Ministério do Meio Ambiente deve lançar campanhas que conscientizem a população sobre o mal causado pelos resíduos sólidos, de forma que os descartes diminuam; tais informações devem ser divulgadas nas redes sociais, com o fim de atingir um grande número de pessoas. Desta maneira, com o decorrer do tempo, além dos produtos adquiridos estarem com alta duração e a necessidade de descartar cair, a população estará munida de conhecimento.