O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 03/10/2019
Na obra “Utopia”,do escritor inglês Thomas More,é retratada uma sociedade perfeita,na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas.No entanto,hoje,no Brasil,nota-se que tal estado é superficial e válido apenas no âmbito literário,uma vez que a desarmonia entre o consumo e a sustentabilidade é constante.Nesse sentido,deve-se analisar a ascensão da cultura hedonista e a manutenção do individualismo na permanência da problemática.
Convém ressaltar,a princípio,que cresce exponencialmente na sociedade hodierna a busca por prazeres momentâneos e com o fortalecimento da cultura hedonista,o impasse é suscitado.Isso porque com o apoio de empresas e e com os meios de comunicação que estimulam a propagação dos ideais de tal cultura,faz com que os indivíduos sejam incentivados diariamente a consumir determinados produtos.Desse modo,com essa influência negativa na comunidade,ocorre a produção de lixo exacerbada e a degradação da natureza,como o aumento da poluição do solo.Assim,segundo pesquisas do SPC,apenas cerca de 30% dos brasileiros são consumidores conscientes.Logo,vê-se que as concepções do hedonismo estimulam o consumo desnecessário e dificultam o progresso da nação.
Deve-se atentar,ainda,sobre a persistência da ausência de alteridade no corpo social e do individualismo nas relações interpessoais.Sendo assim,com o distanciamento do convívio entre os indivíduos,esses tendem a desenvolver um pensamento egoísta e,em muitos casos,não se importam para onde seu lixo é levado e quais atitudes poderiam ser realizadas para minimizar os impactos do efeito estufa,por exemplo.Dessa maneira,conforme o pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman,a sociedade possui como característica da contemporaneidade a falta de empatia e o individualismo nas convivências diárias.Em suma,com tal visão,é evidente que as pessoas não se preocupam com as consequências de suas ações para o meio ambiente e para as próximas gerações.
Infere-se,portanto,a necessidade de combater o desequilíbrio entre o consumo e a sustentabilidade no país.Para isso,as prefeituras,aliadas as ONGs,devem incentivar o consumo consciente no corpo social,mediante a realização semestral de palestras e educação financeira básica nos bairros populosos,haja vista as implicações da ausência de tais atitudes na sociedade,a fim de minimizar os impactos causados na natureza e desestimular gradualmente a cultura hedonista.Por fim,a escola,em conjunto com psicopedagogos,precisa diminuir o individualismo nas relações diárias,por meio de debates e atividades em grupo,para formar melhores cidadãos e para suscitar a empatia entre esses.Dessa forma,pode-se afimar que a coletividade alcançará a Utopia de More e,com essas medidas,o impasse será atenuado de fato.