O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 03/11/2021

“No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho”. Simbolicamente, e de forma análoga ao poema modernista de Carlos Drummond de Andrade, nota-se que durante o desenvolvimento social há obstáculos. Nesse viés, o desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade ainda é um grave impasse social. Com efeito, evidencia-se a necessidade de desconstruir a cultura do consumo, promovendo a educação ambiental efetiva e propagando o consumo consciente e sustentável.

Diante desse cenário, a sociedade é constantemente estimulada pela impulsividade e ostentação. Numa realidade movida a status, ostentação e impulsividade o meio ambiente é o mais afetado e fragilizado por essas ações inconscientes e abre portas para o desperdício. Ocorre que a constante busca por mais está drenando o meio ambiente. A esse respeito a ONU promulgou em 2021 que além do meio ambiente saudável ser um direito internacional, é também um direito humano. Todavia, não é razoável que a obsolescência programada seja regra e à proteção ao meio seja a exceção.

De outra parte, a pulverização da responsabilidade advinda do Estado e sociedade perpetua tratam a temática com indiferença e colabora com consumo em excesso.  Dessa forma, as constantes propagandas corroboram dando força a esse ciclo. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman no seu conceito de - Instituição Zumbi - isto é, o Estado mantém sua forma inoperante e perde a sua função social. Assim, é paradoxal que Estado e Sociedade não se unam para promover o bem ambiental e consequentemente,de todos.

É urgente, portanto, que o ciclo do desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade seja interrompido. O Estado precisa ser estratégico e reajustar ações e recursos para outras autarquias chegando aos municípios e prefeituras. O Ministério do Desenvolvimento em parceria com o Ministério do Meio Ambiente deve promover ações para frear o consumo indiscriminado com propagandas na mídia socialmente engajada, para que ações efetivas sejam proteladas. A cargo do Ministério Publico promover, incentivar e fiscalizar propagandas de consumo consciente. Ademais, a cargo das escolas - grande catalizadora social - em união com o Ministério da Educação promover campanhas e oficinas pedagógicas sobre a Educação Ambiental, para dessa forma, cuidar do meio ambiente, desconstruir a cultura do consumo em massa, viabilizando a educação ambiental e retirar as pedras, assim como na poesia de Drummond.