O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 30/10/2019
Em meados do século XVIII, com o advento da Primeira Revolução Industrial, o conceito de riqueza foi associado à capacidade de produção. Posteriormente, a ideia foi também incorporada pela classe consumidora. A partir daí, criou-se a ilusão de que a posição social está estritamente ligada ao poder aquisitivo, encorajando o consumo exacerbado, e fazendo surgir o consumismo. No entanto, como consequência de tal fato social, tem-se presenciado grande volume de impactos ambientais negativos que afetam o mundo inteiro.
Em primeiro lugar, vale apontar os interesses econômicos das grandes empresas como a principal causa do consumismo. Nesse contexto, consoante à teoria Habitus, elaborada pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Sendo assim, as empresas, por meio da publicidade e, juntamente à obsolescência programada, impõe um padrão de consumo na sociedade. Nesse sentido, o cidadão, vítima de produtos com uma vida útil curta e, influenciado por comerciais que instigam a aquisição de novas mercadorias, adota um estilo de vida consumista.
Outrossim, de acordo com os dados do Global Watch Florest, o Brasil perdeu cerca de 10% de área ambiental entre 2000 e 2018. Em vista disso, observa-se a negligência dos órgãos públicos em fiscalizar áreas florestais contra o desmatamento e as queimadas, provenientes de empresas que buscam por matéria prima para seus produtos ou espaço para atividades agropecuária. Além disso, devido à precariedade das iniciativas de reciclagem, é feito, na maioria das vezes, o descarte inadequado dos mesmos. Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, todos os anos, mais de 8 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos. Destarte, tal problemática contribui para a crescente diminuição da flora e fauna brasileira.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas afim de mitigar esse quadro. Faz-se mister que a ONU, em parceira com todos os seus 193 países-membros, crie acordos que extingam métodos não renováveis de produção, a partir da implementação de mecanismos sustentáveis, a fim de reduzir os malefícios trazidos pelo atual modelo produtivo. Igualmente, a implementação de disciplina que instrua o consumo consciente, nas grades curriculares de todos os níveis educativos, por parte dos órgãos de educação de cada país, fará com que as ameaças mencionadas se anulem em função do tempo.